Entenda como estrangeiros podem deixar de contar em novo limite do Brasileirão
O Brasileirão de 2026 tem 159 jogadores estrangeiros inscritos. Há, porém, um grupo de oito atletas que não entra nesta conta: aqueles que têm dupla nacionalidade. Eles não serão contabilizados também para o novo limite de atletas de fora do Brasil relacionados a cada rodada a partir de 2027.
São três possibilidades para que eles não ocupem vagas de estrangeiros: nascer no Brasil (para aqueles que se naturalizaram para jogar em outra seleção); ter raízes familiares brasileiras ou dupla nacionalidade.
O argentino Walter Kannemann tem dupla cidadania, expedida em março, após dois anos do processo em aberto. O zagueiro chegou ao Grêmio em 2016. A partir de 2020, a cidadania já poderia ser requisitada. É o mesmo trâmite pelo qual passa o goleiro Agustín Rossi, do Flamengo.
Contratado em 2023, o argentino deu entrada para tirar cidadania brasileira em outubro de 2025. Ele tem contrato até dezembro de 2027. Além disso, o fato de ter raízes familiares no Sul do Brasil pode contribuir para não precisar cumprir o prazo de residência.
Como no caso de Walter Kannemann, são necessários, no mínimo, quatro anos de residência no Brasil. O prazo diminui para um ano no caso de pessoas refugiadas ou imigrantes que tenham filho ou sejam casadas (ou em união estável) com um brasileiro.
Ainda são exigidas a capacidade de comunicar-se em português e inexistência de condenação penal ou comprovação de reabilitação.
Abel Ferreira, que já demonstrou desejo de tirar a cidadania brasileira, cumpre os requisitos. "Se há brasileiros que querem tirar o passaporte português, este é um português que quer tirar o passaporte brasileiro", disse o técnico em 2024, quatro anos após a chegada ao Brasil.
O Mercosul tem, desde 2002, um acordo que permite o trabalho de estrangeiros em países do bloco e associados (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile), desde que cumpram exigência sobre residência. Entretanto, isso não equivale à cidadania, sem ter o mesmo efeito no Brasileirão.
O estrangeiro que adquire a cidadania brasileira pode ter documento de identidade e passaporte do Brasil, além de passar a ter direitos civis e políticos, inclusive votar e ser votado. Apenas o exercício de alguns cargos e funções (como o de Presidente da República) é reservado exclusivamente a pessoas com nacionalidade brasileira originária.
No Palmeiras, o paraguaio Gustavo Gómez, o argentino Flaco López e o uruguaio Joaquín Piquerez cumprem os requisitos para ter dupla nacionalidade. Todos jogam pelas seleções de seus países, e a cidadania não impediria que continuassem a representar as equipes nacionais.
Os flamenguistas Arrascaeta (Uruguai), Guillermo Varela (Uruguai) e Erick Pulgar (Chile) vivem a mesma situação. Já o goleiro Rossi poderia até mesmo jogar pelo Brasil, se comprovasse raízes brasileiras ou completasse cinco anos vivendo no País.
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