Justiça mantém promotor em ação contra vice do Corinthians no Caso Nike
A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido da defesa de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, para tirar o promotor Cássio Roberto Conserino do Caso Nike.
A decisão foi tomada pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal da Barra Funda.
A juíza entendeu que os advogados não apresentaram provas suficientes de que Conserino deveria deixar o processo. Com isso, o promotor seguirá responsável pela ação que apura supostos crimes envolvendo a retirada de materiais esportivos dos almoxarifados do Corinthians.
Amanda Eiko Sato também determinou, em caráter de urgência, a expedição de um mandado para citar Armando no processo. A decisão foi publicada na quarta-feira (26).
A defesa sustentava que Conserino não teria a imparcialidade necessária para atuar no caso. Os advogados também pediram que a denúncia feita pelo promotor e todos os atos conduzidos por ele fossem anulados.
Entre os argumentos, a defesa mencionou publicações de Conserino sobre o Corinthians nas redes sociais, manifestações sobre a política interna do clube e a participação do promotor em um evento do SAFiel. Os advogados também contestaram a forma como o Ministério Público conduziu as investigações.
Conserino negou as acusações e afirmou que recebeu o caso por distribuição eletrônica, sem qualquer escolha pessoal. O promotor também disse não ter interesse no resultado da ação.
O pedido de afastamento chegou a ser analisado pela Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo. O procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, porém, decidiu que a definição caberia à juíza responsável pelo processo.
Amanda Eiko Sato concluiu que os argumentos da defesa não se encaixavam nas situações previstas em lei para afastar um promotor. A magistrada também mandou retirar do processo uma fotografia de um familiar de Conserino.
Armando virou réu em junho, quando a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público. O dirigente responde por quatro acusações: apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.
Segundo a acusação, Armando teria se apropriado de 131 itens esportivos pertencentes ao Corinthians. O Ministério Público também afirma que ele tentou retirar 19 camisas especiais da NFL e levou outras oito peças.
A investigação começou após uma auditoria interna sobre o controle dos materiais fornecidos pela Nike ao Corinthians. O levantamento identificou falhas nos registros e no fluxo de produtos dos almoxarifados do Parque São Jorge e do CT Joaquim Grava.
A Justiça aceitou a denúncia, mas rejeitou os pedidos do Ministério Público para afastar Armando do quadro associativo, impedir sua entrada nas dependências do Corinthians e proibir o contato com outros integrantes da administração. Armando nega todas as acusações.
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