Seca dos rios e calor extremo desafiam a produção de energia nuclear na Europa
A onda de calor persistente que atinge a Europa, com temperaturas que chegam a 40 graus em alguns países, dificulta a produção de energia nuclear no continente. A França, por exemplo, teve que suspender 20% de sua capacidade produtiva devido, principalmente, às temperaturas elevadas. Em uma das usinas, excepcionalmente, o motivo para a interrupção foi a proliferação de águas-vivas, efeito colateral do aquecimento excessivo da água do mar.
A França possui 19 parques nucleares que, juntos, reúnem 57 reatores, segundo a EDF, gigante do setor. Pelo menos 13 deles foram afetados pelas consequências da onda de calor, que gerou seca e aquecimento dos rios .
Na quarta-feira (12), oito chegaram a ser completamente paralisados, e cinco precisaram operar abaixo da capacidade nominal, segundo levantamento do portal de notícias France Info . Na maioria dos casos, os reatores foram desligados para preservar a fauna e a flora dos rios.
Isso acontece porque as usinas nucleares precisam de grandes volumes de água para funcionar, utilizados principalmente no resfriamento dos reatores durante o processo de geração de energia. Após esse processo, a água é devolvida aos cursos d'água em temperatura mais elevada do que a registrada na captação.
As normas ambientais, no entanto, proíbem que as usinas despejem água aquecida em rios cuja temperatura ultrapasse 28°C, a fim de evitar a morte em massa de peixes.
Na usina de Gravelines, no norte da França e a maior da Europa Ocidental, o motivo da suspensão foi diferente. Três reatores foram paralisados devido à presença de águas-vivas, cuja proliferação é favorecida pelo aumento da temperatura do mar.
Todos esses incidentes reduziram a produção nuclear da EDF em cerca de 3% em junho e 6% em julho, mas sem afetar o abastecimento no país, que continua sendo um importante exportador de eletricidade, assegurou a empresa.
Na França, a energia nuclear representa mais de 65% da matriz elétrica do país. Com o aquecimento global de origem humana, os climatologistas preveem um aumento na frequência e na intensidade dessas ondas de calor.
Para tentar superar essas consequências, a EDF, por exemplo, destinou € 9 bilhões para adaptar sua infraestrutura às mudanças climáticas.
A seca excepcional que assola a Europa , em decorrência das temperaturas extremas, tem prejudicado o funcionamento de usinas nucleares em outros países do continente. Na Hungria e na Romênia, os níveis muito baixos do rio Danúbio levaram à paralisação de vários reatores.
"Uma usina nuclear gera uma quantidade de energia da qual apenas um terço é aproveitado. Os outros dois terços precisam ser dissipados por meio de sistemas de resfriamento, que normalmente utilizam um grande volume de água de rios ou do mar.
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