Insetos de 324 milhões de anos ainda carregavam pequenas pás no abdômen e revelaram que a conquista da terra firme pode ter passado por uma longa fase anfíbia
Fóssil do Texas combina seis pernas para caminhar com apêndices abdominais adaptados a uma provável vida entre água e terra
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Hoje, seis pernas são praticamente uma assinatura dos insetos, mas um fóssil do Carbonífero mostra que seus primeiros parentes tinham um corpo bem diferente. O Chosha praecursor combinava seis pernas usadas para caminhar com apêndices articulados no abdômen , alguns transformados em estruturas semelhantes a pás, reforçando a hipótese de que parte da evolução inicial dos insetos ocorreu entre ambientes aquáticos e terrestres.
Descrito a partir de fósseis da Formação Tesnus, no oeste do Texas, Chosha praecursor viveu há aproximadamente 324 milhões de anos, no final do Mississippiano. O corpo propriamente dito media cerca de 32 milímetros, enquanto os filamentos posteriores elevavam o comprimento total para quase 50 milímetros.
Apesar de apresentar características reconhecíveis de insetos, como ovipositor, filamento caudal e três pares de pernas torácicas, o animal preservava uma condição muito mais ancestral. Os nove primeiros segmentos do abdômen carregavam pares de apêndices articulados, estruturas inexistentes dessa forma nos insetos modernos.
Os apêndices posteriores tinham extremidades achatadas semelhantes a pequenas pás. Os pesquisadores interpretam essas estruturas como adaptações compatíveis com uma vida semiaquática, possivelmente auxiliando na locomoção em águas rasas ou substratos encharcados. Algumas também apresentam aparência semelhante à de estruturas respiratórias aquáticas.
Essa interpretação ganha força pelo ambiente onde os fósseis foram preservados. Evidências sedimentológicas indicam uma paisagem costeira e deltaica de águas rasas, criando uma combinação plausível de áreas inundadas, margens úmidas e superfícies terrestres nas quais esse animal poderia circular.
Este vídeo explica por que os seis membros torácicos se tornaram uma característica tão marcante dos insetos modernos.
A análise filogenética favoreceu fortemente a colocação de Chosha praecursor entre os primeiros representantes da linhagem dos insetos. Os pesquisadores também reexaminaram outros fósseis paleozoicos enigmáticos e encontraram uma diversidade corporal maior do que aquela sugerida pelos insetos atuais.
Esses animais mostram que o padrão moderno não apareceu necessariamente pronto. Ao longo da evolução, apêndices originalmente distribuídos por diferentes segmentos podem ter sido reduzidos, modificados e finalmente perdidos no abdômen, enquanto os três pares torácicos permaneceram como as seis pernas características dos insetos.
Ele fornece uma evidência importante, mas não demonstra que toda a linhagem dos insetos tenha seguido exatamente o mesmo caminho ecológico. A anatomia e o ambiente de Chosha praecursor sustentam uma vida semiaquática para esse representante inicial, enquanto outros parentes antigos podem ter ocupado habitats diferentes.
O Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing interpreta o conjunto de fósseis como evidência de que a terrestrialização dos insetos foi gradual.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.