Núbia de Oliveira faz 1:11:13 em Buenos Aires e bate recorde brasileiro após 35 anos
Núbia de Oliveira Silva escreveu seu nome na história do atletismo brasileiro neste domingo (23/8). Aos 24 anos, a baiana completou a Meia Maratona de Buenos Aires em 1:11:13 e quebrou o recorde brasileiro da distância, que pertencia a Silvana Pereira desde 13 de julho de 1991, com 1:11:15.
Núbia terminou na 8ª colocação geral e foi a primeira sul-americana, em uma edição marcada pelo alto nível técnico. A prova foi vencida pela etíope Fotyen Tesfay, em 1:03:57, novo recorde da competição. No masculino, o também etíope Yomif Kejelcha venceu com 56:51 e estabeleceu novo recorde mundial da meia maratona, em uma edição de altíssimo nível técnico.
Para Núbia, porém, a principal disputa do dia era contra o relógio. E ela conseguiu superar uma marca que permanecia intocada no Brasil havia 35 anos.
Núbia seguiu a estratégia traçada com o treinador Antônio Ferreira Bonfim Filho, o Ferreirinha, de correr de forma consistente na faixa de 3min20s a 3min23s/km. As parciais do tracking (resultados online) mostram uma prova bastante regular, com uma aceleração decisiva no trecho final.
Os tempos de 5 km abaixo foram obtidos a partir do tracking disponibilizado no sistema de resultados da prova e dão uma ideia da consistência da brasileira ao longo do percurso.
* 1:11:08 é o tempo líquido registrado no tracking. O tempo válido é o tempo bruto: 1:11:13.
A diferença para o recorde foi construída no trecho final. Nos últimos 1.097 metros, Núbia completou o percurso em 3:23, equivalente a um ritmo de aproximadamente 3min04s/km.
Na reta de chegada, a brasileira fez aquilo que já é sua característica: sprintou para confirmar a marca histórica por apenas 2 segundos. Logo depois de cruzar a linha, pegou a bandeira do Brasil e comemorou emocionada.
"Faltando 2 km, eu tinha que fazer o melhor. E eu fui para cima", declarou a nova recordista, que tinha 1:14:11, registrado na Venus Half Marathon, em novembro de 2025, como melhor tempo na distância.
O contexto da prova reforça a dimensão do resultado. Núbia terminou em oitavo lugar entre as mulheres, mas ficou à frente de todas as demais atletas sul-americanas em uma competição dominada pelas corredoras africanas.
O recorde veio apenas uma semana depois de Núbia conquistar o bicampeonato da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, com 1:16:54. No Rio, a prioridade era a disputa pela vitória. Em Buenos Aires, a estratégia foi outra: desde a largada, o objetivo era correr contra o relógio. E os recentes resultados nos 10 km (32:37 em Tóquio, em 2025, e 32:17 em Laredo, na Espanha, em abril deste ano), mostravam que havia potencial para correr muito abaixo de seu recorde pessoal na meia, desde que encontrasse a prova certa.
Buenos Aires foi escolhida a dedo para a tentativa de melhorar a marca: um percurso rápido, uma prova de alto nível e condições que poderiam permitir à brasileira finalmente correr uma meia para marca.
"Pelo nosso planejamento, o recorde não era para sair agora, mas a Núbia é danada, é terrível.
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