Por que as filhas são seguros para a velhice?
Economista pela UFPE e especialista em gestão pública no Insper. Estudou economia comportamental na Warwick University (Reino Unido) e é associada do Livres
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Na última quarta-feira (5), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, ao explicar a importância do papel que atribui às mulheres, disse: "Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim" .
Nessa fala, fica explícita uma expectativa presente em diferentes países e condições econômicas: contar com os filhos como proteção para o futuro.
Dezoito anos antes, Pak Sudarno recolhia sucata e criava nove filhos em um bairro pobre de Bandung, na Indonésia. Quando lhe perguntaram se estava feliz por ter tantos, respondeu que sim: entre nove, alguns prosperariam e cuidariam dele na velhice.
Os economistas Abhijit Banerjee e Esther Duflo narram a história em "A Economia dos Pobres" para mostrar como, na ausência de alternativas, decisões sobre o número de filhos podem responder à insegurança econômica.
Sudarno contava com os filhos por falta de alternativas, enquanto Flávio, apesar de ter renda para contratar cuidado, reservava a tarefa às filhas.
Voltando ao Brasil, a expansão da previdência rural mostra como alternativas econômicas mudam as decisões familiares.
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