Charleaux: Lula na ONU vai além da eleição e se põe como voz do Sul Global
O discurso de Lula na ONU foi além da disputa eleitoral brasileira e buscou projetar o presidente como uma voz do Sul Global, avaliou o colunista João Paulo Charleaux no no Pulso Político , do Canal UOL .
Para Charleaux, embora o presidente tenha abordado temas ligados ao debate político nacional, boa parte de sua fala foi direcionada à comunidade internacional e tratou de questões que também afetam países da América Latina, África e Ásia.
Eu acho que o Lula falou para um eleitorado, mas não é para o eleitorado brasileiro, nem pensando na eleição de outubro. Eu acho que ele falou para um tipo de eleitorado que é a comunidade internacional. A ONU tem 195 países. A gente fica muito focado no que os Estados Unidos pensam, em algumas potências europeias, China e Rússia, mas tem um mundo inteiro sofrendo das mesmas mazelas que o Brasil. João Paulo Charleaux
Charleaux destacou as críticas de Lula à interferência e ao uso da força por grandes potências. Na avaliação dele, esse discurso encontra eco em países que também questionam a atuação dos Estados Unidos no cenário internacional.
Então várias partes do mundo sentem que existe um exercício arrogante de poder de parte dos Estados Unidos e por isso ele fala também pensando nesse setor chamado muito comumente de Sul Global, que é tudo aquilo que não está na Europa, que não está nos Estados Unidos. João Paulo Charleaux
Na análise, Lula também encontrou espaço para se projetar internacionalmente ao criticar o Conselho de Segurança da ONU, que, segundo Charleaux, está paralisado e não consegue cumprir sua função de impedir guerras e o uso da força entre países.
A primeira coisa que ele falou no discurso foi contra o Conselho de Segurança da ONU e houve uma reação positiva porque o Conselho de Segurança da ONU está completamente paralisado, não consegue cumprir a sua função fundamental que é impedir o uso da força entre os países, impedir as guerras. João Paulo Charleaux
Charleaux avaliou que, ao fazer essa crítica, Lula se aproxima de demandas de "potências médias" que querem mais espaço em decisões globais, como África do Sul, Índia, Indonésia e o próprio Brasil.
Então quando ele ataca o Conselho de Segurança, ele é uma voz de todos os outros países, inclusive potências médias como África do Sul, Índia, Indonésia, Brasil, que gostariam de reivindicar uma maior participação nisso e não conseguem. João Paulo Charleaux
O colunista disse que o tom de estadista apareceu ao longo do pronunciamento, com Lula olhando "quatro anos adiante" e tentando se ver como um ator internacional com credenciais, ainda que tenha voltado ao tema eleitoral no fim.
Eu senti um Lula muito imbuído desse espírito de estadista, pensando quatro anos adiante, porque mesmo que ele venha a se reeleger, é a última vez que ele ficaria na presidência. Se ele perder a eleição, ele abrevia ainda mais esse tempo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.