EUA agiram para Flávio trocar presidente eleito por líder em carta golpista
Agentes do governo de Donald Trump entraram em campo ontem tão logo circulou em Washington a carta golpista de Flávio Bolsonaro em que ele se autodeclarava "presidente eleito do Brasil".
Coube aos emissários, ligados ao Departamento de Estado, avisar que o termo poderia ferir os interesses diplomáticos dos EUA com o Brasil e precisaria ser mudado. Flávio postou a versão final em suas redes 40 minutos depois da primeira versão ter sido divulgada. A nova redação o intitulava como "líder do Brasil".
A informação foi confirmada ao UOL , sob reserva, por três fontes ligadas à diplomacia dos EUA e corroborada por um interlocutor estrangeiro do país. "Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver . Foi uma eleição muito estranha, isso é certo", disse Donald Trump ontem, quando foi questionado sobre Flávio ter dito ser "o verdadeiro presidente eleito do Brasil".
"Deixar Flávio entrar sob argumento de asilo, questões de segurança, é uma coisa. Muito diferente é passar a tratar como presidente eleito, porque isso forçaria a não ter relações com o governo do Brasil e isso é algo que os EUA não estão dispostos a fazer, até porque não atende aos interesses americanos", afirmou, sob a condição de não ser identificado, um embaixador americano que conhece as relações entre os países. "Rúbio tende a ser pragmático, mas há pessoas no entorno tentando levar o presidente, erradamente, a falar em fraude na eleição no Brasil e fomentando essa ideia de que Flávio poderia ter apoio em se colocar nesse lugar de 'eleito'", afirmou um diplomata do país também sob reserva.
Oficialmente, o Departamento de Estado não comentou a carta até a publicação desta reportagem —anteontem, o órgão havia informado que concederia vistos à Flávio e sua família. Um oficial do órgão, porém, disse que o objetivo da ação era garantir a segurança e a integridade física de um aliado político na região.
Procurados, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro não comentou. Já o comentarista político Paulo Figueiredo, também artífice da fuga de Flávio para os EUA, escreveu por mensagem: " Brasão da República proposital, EUA modificando texto... Vocês estão todos malucos. Quem dos EUA ligou pra mim pra mudar o texto??? O Rubio? De como houve de fato a mudança. Não há nada demais. Influência americana é vozes da cabeça... Quem seria louco de achar que a Casa Branca vai dizer ao Flávio o que falar", afirmou Figueiredo.
Um aliado americano dos bolsonaristas e próximo ao trumpismo afirmou ao UOL que Rubio chegou a ver ao menos uma das versões do texto, o que Figueiredo nega.
Questionado se queria explicar por que a modificação foi feita, ele disse que não havia nada de "mirabolante". "Fizemos várias versões e no final acabou-se usando um trecho de versão antiga... Coisas de AI", explicou Paulo Figueiredo, admitindo o uso de inteligência artificial na confecção do texto.
Entre as preocupações que a autodeclaração de Flávio como presidente trouxeram estavam assuntos mais prosaicos como a escalada de tensão com o governo brasileiro para o aceite do indicado por Trump para o posto de embaixador no Brasil, Danny Perez.
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