De 4 mil para 554: Falso alarme nas seções de votação e o risco real no TSE
Num primeiro momento, o sistema da Justiça Eleitoral indicava que mais de 4 mil seções tinham tido o local de votação alterado para o segundo turno. Eram números que ainda não estavam consolidados, mas isso não impediu as desconfianças sobre manipulação. Agora, com os dados revisados que chegaram dos estados, o TSE registra mudança em 554 locais de votação, espalhados por 22 estados e somando cerca de 163,6 mil eleitores. Ou seja, 0,1% do total de seções.
Minas Gerais (98) e Paraná (96) somam um terço de todas as seções alteradas, seguidas por São Paulo (48), Amazonas (46), Amapá (38), Pará (32), Goiás (28), Rio Grande do Norte e Piauí (24), Maranhão (22), Rio Grande do Sul (19), Sergipe (16), Pernambuco (11), Roraima (10), Ceará (9), Mato Grosso e Paraíba (8), Espírito Santo (7), Bahia (6), Tocantins (3), Alagoas e Mato Grosso do Sul (1).
O Sudeste tem 153 seções alteradas (44.654 eleitores), seguido do Norte (129), com 41.663, Nordeste (12), 34.192, Sul (115), 32.708, e Centro-Oeste (37), 10.350.
E por que a queda? Várias seções que funcionaram num endereço provisório no primeiro turno apareciam no sistema como "alteradas" simplesmente porque ainda se analisava se a mudança seria mantida. Segundo a Justiça Eleitoral, essas alocações são temporárias e, passado o primeiro turno, as seções retornam automaticamente ao local de origem, a menos que as zonas eleitorais mantenham a mudança também para o segundo turno.
Quem bate o martelo sobre esse tipo de alteração são os juízes eleitorais nos estados, não o TSE em Brasília.
Para quem gosta de comparação histórica: em 2022, mais de 5.800 seções mudaram de endereço entre os turnos. Estamos, portanto, abaixo do que sempre aconteceu sem que ninguém precisasse acender velas para a democracia. Vale dizer que o número ainda pode oscilar, já que a lista no site do tribunal é atualizada quatro vezes ao dia, com base nos dados enviados pelos TREs.
Conversei com técnicos do Tribunal Superior Eleitoral. Os motivos das mudanças são dos mais diversos: uma escola que ficou apertada demais no dia da votação, outra que entrou em reforma, uma rampa de acessibilidade que não funcionou, um local provisório que está devolvendo os eleitores ao endereço original. O TSE também cita os danos provocados por fortes chuvas, que exigiram a transferência preventiva de seções para prédios próximos e mais seguros.
Há casos que parecem saídos da literatura. Em Mato Grosso, um local de votação cancelou a mudança provisória feita para o primeiro turno porque o problema com morcegos na escola original havia sido resolvido. Yes, Batman.
Nada indica que houve manipulação. Nem os motivos, nem o volume, nem a distribuição demográfica das seções que precisaram ser remanejadas.
Ironicamente, muita energia está sendo gasta nessa discussão, enquanto o foco deveria ser as decisões tomadas por Kassio Nunes Marques e André Mendonça no TSE que, essas sim, são altamente questionáveis do ponto de vista técnico e podem influenciar o resultado da eleição.
O presidente Kassio Nunes Marques interrompeu julgamentos virtuais que tinham placar pela remoção de conteúdos contra Lula, adversário de Flávio Bolsonaro na disputa.
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