Pescadores denunciam aumento da poluição e prejuízos após obra de dragagem do Porto do Recife; MPF apura impactos ambientais
Pescadores denunciam queda na pesca após dragagem do Porto do Recife Espelho d'água que separa a Zona Sul do Centro da capital pernambucana, a Bacia do Pina é um estuário onde os rios Tejipió, Jordão, Jiquiá e um braço do Capibaribe se encontram com o Oceano Atlântico.
A preservação do local tem preocupado pescadores que trabalham na região (veja vídeo acima).
Trabalhadores da Colônia de Pescadores Z-1 do Pina, que reúne cerca de 1,2 mil profissionais, denunciaram que estão sendo prejudicados pelo aumento da poluição na área.
Segundo o grupo, as obras de dragagem do Porto do Recife teriam aumentado a quantidade de lixo e plástico encontrados no mar. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O caso é acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF), que avalia a possibilidade de criar uma compensação financeira para as famílias afetadas.
Procurado, o Porto do Recife negou que haja relação entre o projeto e os impactos relatados pelos pescadores (saiba mais abaixo).
Em entrevista à TV Globo, a presidente da Colônia de Pescadores Z-1 do Pina, Sandra Lima, afirmou que o material retirado do fundo do mar durante a dragagem estaria sendo levado para áreas de pesca em alto-mar, prejudicando a captura de peixes e crustáceos.
"A dragagem é que está afetando 100% os pescadores tanto do estuário, como de alto mar e costeiro, porque a draga está levando o lixo lá para fora, a mais ou menos seis milhas, e está vindo dentro dos covos [armadilha para peixes].
Na temporada de lagosta, quem pescava — vamos dizer um exemplo aqui — 30kg de lagosta não está pegando nem dez quilos porque só vem lixo nos covos", disse.
As obras de dragagem começaram no fim de junho.
Segundo o Porto do Recife, R$ 92 milhões estão sendo investidos para aumentar a profundidade dos canais interno e externo.
Com isso, o objetivo é permitir a atracação de navios maiores e ampliar a capacidade de exportação de produtos.
Com a intervenção, a profundidade média dos canais, que hoje é de 10 metros, deve chegar a 12 metros.
Durante o serviço de dragagem, um barco de apoio acompanha as dragas para recolher o material que escapa durante a sucção da lama, argila e areia do fundo do mar, na área de manobra dos navios.
O professor Múcio Banja, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), estuda há 20 anos os impactos ambientais no litoral pernambucano e acompanha as obras de dragagem do Porto do Recife.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Pernambuco.