Estatísticas podem salvar vidas (se bem-usadas)
O uso de dados no planejamento urbano carrega consigo um aspecto que nem sempre se destaca: ele impede que o evitável pareça inevitável.
Dito de outra forma: impede que se naturalize aquilo que não é natural .
A distinção entre uma coisa e outra pode significar a diferença entre a vida e a morte.
Nenhuma cidade pode ser considerada inteligente se sua visão despreza a ciência contida nos dados.
Um exemplo alarmante disso está no número de mortes no trânsito.
Morrer conduzindo um veículo pelas ruas nada tem de natural, tampouco inevitável.
Ainda assim, as estatísticas são dolorosas.
Fiquemos apenas em São Paulo — e no caso dos motociclistas.
No ano passado, 475 deles morreram nas ruas da capital paulista.
Segundo dados do Sistema Infosiga (Detran-SP), esse total representa mais de nove vidas perdidas por semana.
Para cada morte, dezenas de pessoas sobrevivem com sequelas físicas e psicológicas que mudam suas respectivas rotinas para sempre.
Famílias são desestruturadas, aumenta a pressão sobre o sistema de saúde pública e multiplicam-se os impactos sociais e econômicos dessa tragédia silenciosa.
Sinistros envolvendo motociclistas estão, há muito, entre as minhas maiores preocupações no que diz respeito aos desafios urbanos – pessoalmente, como cidadão, e também em termos profissionais, sobretudo em sala de aula.
Em um recente workshop sobre o tema com estudantes e professores das áreas de engenharia, arquitetura e negócios, comecei pelo problema e não pela tecnologia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.