Custo fiscal do reajuste do Bolsa Família não era previsto, diz pesquisador
O anúncio do reajuste do Bolsa Família, feito em cerimônia no Palácio do Planalto, elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio de R$ 675 para R$ 777.
A medida, no entanto, gerou preocupações entre especialistas em razão do impacto fiscal não previsto no orçamento.
Victor Hugo Miro, pesquisador do FGV-Ibre, avaliou que toda decisão envolvendo programas de transferência de renda implica custos e benefícios.
Segundo ele, simulações indicam que o aumento dos recursos transferidos tende a reduzir a pobreza e a desigualdade.
No entanto, o especialista ressaltou que “esse custo fiscal não era previsto e pode comprometer as contas para o próximo ano”.
O pesquisador destacou que o governo já enfrenta questionamentos sobre a sustentabilidade fiscal, e que o reajuste representa um elemento adicional de incerteza.
Leia Mais Bolsa Família: reajuste mantém distorção sobre crianças, dizem economistas Governo não vê risco jurídico a reajuste do Bolsa Família antes da eleição Especialista em gestão pública avalia impacto do aumento do Bolsa Família Com um impacto estimado em cerca de R$ 22 bilhões a R$ 23 bilhões por ano, Miro afirmou que “nós vivemos uma situação de projeções alarmantes a respeito da dívida pública, com um crescimento que vem ganhando velocidade nos últimos anos, e esse impacto fiscal pode comprometer bastante o alcance desse equilíbrio”.
Para acomodar o novo gasto, o governo precisaria cortar recursos de outras áreas ou aumentar a arrecadação, o que, segundo ele, impõe um custo adicional à sociedade.
Miro também criticou a ausência de previsibilidade na medida.
Para o pesquisador, a forma correta de promover esse tipo de alteração seria por meio de lei, com mecanismos claros de reajuste anual, como correções atreladas à inflação.
“O que o mercado como um todo e todos os analistas gostariam que fosse seguido à risca é ter previsibilidade relacionada a esse tipo de gasto”, afirmou.
Ele acrescentou que o orçamento de 2027 não continha nenhuma previsão para esse aumento, o que torna ainda mais difícil a aceitação da medida pelo mercado.
Timing eleitoral e política monetária Outro ponto levantado por Miro foi o momento escolhido para o anúncio, realizado a menos de um mês das eleições.
O pesquisador observou que a estratégia remete ao que ocorreu em 2022, quando um programa de transferência de renda foi ampliado em período eleitoral .
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