Governo Lula espera que Trump defina posição sobre Brasil após midterms
Embora tenha dito hoje (29) mais cedo que deverá falar com o presidente Lula (PT) em breve sobre a eleição no Brasil, o presidente dos EUA Donald Trump ainda não tentou contato com o Palácio do Planalto.
Na quinta vez em que comentou a eleição brasileira desde domingo, quando a reeleição do petista foi confirmada pelo TSE, Trump voltou a chamar o processo eleitoral de uma "desgraça" e afirmou que não "tomou lado" em respeito a um pedido de Lula. Esse pedido, segundo um assessor de Lula, teria acontecido durante uma conversa telefônica dos dois presidentes em agosto.
Embora tenha afirmado que se "dá bem" com Lula, Trump também lançou suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro insistentemente e ainda não parabenizou o brasileiro pela vitória por mais de quatro milhões de votos de vantagem. O Planalto, no entanto, minimiza a importância do gesto.
Na avaliação de diplomatas brasileiros, Trump deve reconhecer a eleição brasileira e se posicionar de maneira mais clara sobre o Brasil após as eleições de meio de mandato no país, que acontecem na próxima terça-feira (3). No ponto mais baixo da popularidade para ambos os mandatos, Trump deve perder a maioria de ao menos uma das casas legislativas. Na Câmara, a derrota é provável. No Senado, possível. Nos dois primeiros anos de seu segundo mandato, Trump contou com maioria em ambos.
"Tem que esperar, não tem jeito. Vamos ter que lidar com essa ambiguidade por mais algum tempo. Mas se os Democratas vencerem ao menos uma das duas casas, eles se tornarão aliados essenciais do presidente Lula em pautas muito importantes, como meio ambiente e regulação de big techs", afirmou, sob reserva, um dos auxiliares do presidente para política externa.
A relação com os EUA é vista como o maior desafio da diplomacia brasileira no quarto mandato do petista. E a questão ganhou novos contornos com a chegada, ontem (28), de Flávio Bolsonaro, presidenciável do PL derrotado no último domingo, a Miami, na Flórida.
Flávio recebeu um visto humanitário por um ano do governo dos EUA. Trump disse que acredita que o bolsonarista foi tratado de modo injusto depois que, minutos após a derrota, o ministro do STF Alexandre de Moraes mandou que ele entregasse seus passaportes e não deixasse o Brasil. Flávio descumpriu as determinações judiciais e saiu do Brasil, via Argentina, com a mulher e as duas filhas do casal.
Hoje, o jornal americano The New York Times mostrou que um dos assessores da Casa Branca, o estrategista de comunicação Jason Miller, facilitou a obtenção do jato que trouxe Flávio para os EUA. O UOL questionou Miller se o conteúdo da reportagem era verdadeiro, mas o assessor não respondeu. Ele tem proximidade com a família Bolsonaro há anos.
O governo brasileiro tem tentado não ser dragado pelo assunto e evita comentar a situação de Flávio. Não houve comunicação entre autoridades brasileiras e americanas sobre o tema.
O Planalto também viu com bons olhos a informação revelada pela coluna de que o governo americano teria pedido a Flávio que recuasse de se autodeclarar " verdadeiro presidente eleito do Brasil" em uma carta golpista divulgada pelo senador ontem (28).
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