Ninguém vai me dizer o que sentir
Há uma estranha necessidade humana de administrar a vida alheia.
Como se existisse um manual invisível sobre a forma correta de amar, de sofrer, de perdoar, de partir, de permanecer.
Como se houvesse uma medida exata para a dor dos outros, um cronômetro para o luto, uma receita para a felicidade e um tribunal permanente onde cada escolha precisasse ser aprovada por uma plateia.
Mas existe um território onde ninguém entra sem convite.
Um lugar silencioso, profundo, onde moram as nossas razões mais íntimas.
É ali que nascem os sentimentos.
E sentimentos não aceitam ordens.
Ninguém pode determinar o tamanho da saudade que você carrega, a intensidade da sua decepção ou a alegria que uma pequena conquista desperta.
Não existe autoridade capaz de decretar que você já deveria ter superado, que deveria amar menos, perdoar mais, esquecer mais rápido ou se importar menos.
O coração desconhece decretos.
Ele apenas sente.
Talvez seja por isso que tantas pessoas se incomodem com a liberdade dos outros.
Porque quem escolhe o próprio caminho lembra, ainda que sem dizer uma palavra, que todos também poderiam escolher.
E assumir a autoria da própria vida exige coragem.
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