EUA planejam executar três pessoas por pena de morte nesta quinta-feira
Três estados dos EUA planejam executar três homens condenados por assassinato no mesmo dia, algo que não acontecia desde 2010, em meio a uma alta recente no número de penas de morte.
Tennessee, Alabama e Oklahoma programaram execuções por injeção letal para hoje. Os presos são Anthony Darrell Hines, 66, Jeremy Williams, 41, e Carlos Cuesta-Rodriguez, 71, cada um condenado em seu respectivo estado.
Hines respondia pela morte de uma mulher de 54 anos que trabalhava como camareira em um motel de Kingston Springs. Ele foi condenado à morte em 1986, ganhou um recurso para nova audiência de sentença e foi condenado à morte em 1989.
Já Williams se declarou culpado pelo estupro e assassinato de uma menina de 5 anos da Geórgia, em 2021. Ele se recursou a recorrer ao longo do processo e pediu que sua sentença de morte fosse executada.
Cuesta-Rodriguez foi condenado por matar a tiros sua namorada em casa em Oklahona City, em 2003. O homem disse que se arrepende de tê-la matado e não pediu clemência ao tribunal.
A coincidência de três execuções no mesmo dia volta a colocar a pena de morte no centro do debate nos EUA. A última vez que três pessoas foram executadas no mesmo dia no país foi há quase 16 anos.
Onze estados realizaram execuções nos EUA em 2025. Se as mortes no Tennessee e no Alabama se concretizarem, seis estados terão realizado execuções em 2026.
O aumento recente é puxado por poucos estados, com destaque para a Flórida. "Ele é a razão pela qual estamos vendo um número recorde de execuções. Ele é a razão pela qual a Flórida é um ponto fora da curva em comparação com o resto dos Estados Unidos", disse Robin Maher, diretora executiva do Centro de Informações sobre a Pena de Morte, à imprensa americana.
Mesmo com a alta, o uso da pena de morte não é uniforme no país. "Se você olhar para o país como um todo, você tem apenas este pequeno bolso de cinco ou seis estados que estão usando a pena de morte, executando pessoas, e um pequeno número de estados que ainda estão impondo novas sentenças de morte", afirmou Maher à AP.
Organizações de direitos humanos apontam que a alta reflete decisões políticas e a retomada de agendas mais duras de segurança. Além disso, especialistas dizem que o tempo longo dos processos pode fazer o número de execuções oscilar conforme casos antigos chegam ao fim. "Por causa do tempo que leva para o caso real acontecer, e também por todos os recursos incorporados uma vez que há uma condenação", disse Justin Mazzola, vice-diretor de pesquisa da Anistia Internacional nos EUA, à BBC
Para defensores da pena capital, a execução é vista como forma de punir crimes extremos e inibir novos casos. Donald Trump já chamou a pena de morte de "um instrumento essencial para dissuadir e punir aqueles que cometem os crimes mais hediondos e atos de violência letal contra cidadãos americanos".
Alguns governadores e promotores também defendem o efeito de dissuasão e o papel do júri na decisão.
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