Mourão diz que conteúdo de carta de Flávio é 'pura ação política' e que não existe apoio a golpe
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A carta golpista escrita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e divulgada após sua chegada aos Estados Unidos, fugido do Brasil, é "pura ação política", e não há apoio ao tom de golpe empregado no texto, afirmou à Folha o senador Hamilton Mourão ( Republicanos -RS).
Mourão é general do Exército da reserva e foi vice-presidente no governo de Jair Bolsonaro (PL). Ele foi alijado da campanha do filho mais velho do ex-presidente, derrotado no último domingo (25) pelo presidente Lula (PT). Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro.
"Que existe arbítrio por parte do Alexandre de Moraes [ministro do STF, que acatou pedido da Polícia Federal e determinou apreensão de passaportes de Flávio ] não tenho a menor dúvida. Quanto à possibilidade de fraude [na eleição], deveria ser investigada dentro do possível", disse Mourão. "Quanto ao resto, é pura ação política."
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal) afirmou, em pronunciamento à imprensa na noite de domingo, que a decisão de Cristiano Zanin não causou problemas na contagem dos votos . "Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial", disse.
O vice de Bolsonaro no governo de 2019 a 2022 classifica como "pura ação política" o ato de Flávio de não reconhecer a derrota e a autodeclaração golpista do senador de que era o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".
A carta teve mais de uma versão. No texto divulgado no Twitter, Flávio alterou o conteúdo trocando a expressão "verdadeiro presidente" por "líder do Brasil". Em versão divulgada por aliados chegou a constar "presidente eleito".
Questionado se concordava que a carta do filho mais velho de Bolsonaro é golpista, Mourão afirmou: "Golpe tem de ter apoio, e ele não existe".
Para o senador, é muito difícil que Flávio lidere a direita "de fora do país". O general disse que é preciso aguardar os próximos passos envolvendo o candidato derrotado à Presidência da República.
Na parte final do governo Bolsonaro, Mourão já havia sido escanteado pela família. Ele foi eleito senador em 2022 e está no meio do mandato.
O general passou ao largo da tentativa de golpe de Estado liderada por Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão em razão do atentado à democracia. Quatro generais de quatro estrelas –a mais alta patente dos militares brasileiros– foram condenados pelo Supremo, além de outros oficiais e civis que integraram o governo Bolsonaro.
Flávio tinha o plano de anistiar os condenados por golpe . Derrotado nas urnas, fugiu do país na noite desta terça-feira (27), num trajeto que envolveu Argentina, Equador e Estados Unidos. O senador, a mulher e as duas filhas desembarcaram em Miami na manhã desta quarta (28). Poucas horas depois, divulgou a carta com contestação à eleição.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.