Medidas tributárias da atual gestão promoveram justiça fiscal e fecharam brechas, diz tributarista Roberto Quiroga
São Paulo Depois de 34 anos de atuação em um dos maiores escritórios do país, o advogado Roberto Quiroga Mosquera começa uma nova fase na carreira. Justamente em um momento em que o direito tributário passa por aquilo que ele classifica como uma revolução.
"Essa talvez tenha sido a gestão que produziu mais leis tributárias. E foram leis que melhoraram a qualidade da tributação no Brasil, que efetivamente fizeram justiça fiscal", afirma Quiroga ao fazer uma avaliação da gestão Lula - Fernando Haddad .
O ano de 2026 também marca a saída do tributarista da sociedade no Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, que ajudou a fundar em 1992. A mudança se deve à regra do escritório de aposentadoria obrigatória ao completar 65 anos.
Professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) há 37 anos e da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo há 21 anos, ele agora passa a acumular essas funções com a atuação em um novo escritório, onde pretende se dedicar a pareceres e casos especiais.
O tributarista também é um dos autores do livro "Aspectos Essenciais do Imposto e da Contribuição sobre Bens e Serviços", uma parceria lançada neste ano com o professor Eric Castro e Silva, da Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco.
A publicação, que tem como tema a reforma tributária, faz parte das comemorações do bicentenário da fundação dos cursos jurídicos no Brasil. Daí a proposta de ter como autores um representante de cada uma das duas faculdades mais antigas do país.
A reforma é uma das alterações no sistema que ele vê como positivas. O advogado cita também a mudança na tributação de fundos exclusivos e offshore —instrumentos de aplicação de recursos por pessoas de alta renda— e a correção da tabela do Imposto de Renda , com a tributação de dividendos .
Inclui ainda o Código de Defesa do Contribuinte, que trata também do devedor contumaz, e o acordo entre governo e empresas sobre o voto de desempate no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
"São cinco ou seis leis que realmente revolucionaram o sistema tributário brasileiro. Tudo que eu estou falando não é uma coisa de esquerda ou de direita, não tem um viés político. Tem um viés de fazer um sistema tributário melhor."
Quiroga diz estar convencido de que essas eram as grandes pendências no direito tributário que precisavam ser aprovadas e que, junto com outras normas anteriores, elas fecharam as principais brechas para planejamentos tributários.
"Eu vejo claramente a diminuição de planejamentos tributários e, eventualmente, uma certa estabilidade nas legislações.
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