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Quem é o tenente-coronel José Henrique Flores, apontado como 'guarda-costas' do PCC

UOL Notícias ·
Quem é o tenente-coronel José Henrique Flores, apontado como 'guarda-costas' do PCC

O tenente-coronel José Henrique Martins Flores, que trabalhava no Comando de Policiamento de Área Metropolitano-7 (CPA-M7), responsável pelo patrulhamento da região de Guarulhos, na Grande São Paulo, foi preso no último sábado (29) depois de ter a sua prisão preventiva decretada pela Justiça Militar Estadual. Ele é acusado de organização criminosa armada e pelo crime militar de exercício ilegal de comércio por oficial.

Ao depor, o oficial alegou inocência, e a reportagem não conseguiu localizar sua defesa.

Segundo a acusação, Flores é apontado como administrador do Grupo AM3, que controlaria diversas empresas do setor de prestação de serviços de segurança privada. Uma dessas empresas emitia notas fiscais para o pagamento de serviços de segurança prestados por policiais militares para a Transwolff, concessionária responsável por linhas de ônibus na zona sul da capital paulista.

A Transwolff era dirigida por Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e por Cícero de Oliveira, conhecido como Té. Ambos são acusados de utilizar a empresa de transporte público para lavar dinheiro oriundo de tráfico de drogas, roubos e outros delitos cometidos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), chegando a ocultar cerca de R$ 54 milhões da facção no capital social da companhia.

A empresa foi alvo da Operação Fim da Linha em março de 2024, quando a Prefeitura de São Paulo decretou intervenção e afastou sua diretoria. No esquema, as notas fiscais emitidas pelo tenente-coronel serviam para que o capitão Alexandre Paulino Vieira, ex-chefe da Assessoria Militar da Câmara dos Vereadores e ex-oficial da Rota, justificasse a prestação de serviços de segurança à Transwolff.

O capitão foi denunciado pelos mesmos crimes que Flores e já se encontrava preso desde a deflagração da Operação Kratos, ocorrida em fevereiro. A denúncia dos promotores do Ministério Público abrange ainda outros dois policiais militares detidos: o 2.º sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, por organização criminosa, e o 3.º sargento Nereu Aparecido Alves, por organização criminosa e lavagem de dinheiro, em cuja residência a Corregedoria da PM apreendeu R$ 1,18 milhão em espécie.

A acusação sustenta que, no período de 2020 a 2026, os policiais participaram de forma consciente, livre, estável e permanente do esquema de proteção à diretoria da Transwolff, mesmo cientes de suas ligações com a facção criminosa, buscando a obtenção de vantagens ilícitas. Em depoimento, Pandora, Té e Robson Flares Lopes Pontes negaram a prática dos crimes, e a reportagem também não localizou a defesa dos civis envolvidos.

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