PM de SP que matou a tiro mulher que estava com faca é solto; agente diz não ter habilitação para usar taser
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A mulher morta com um tiro no tórax por um policial militar na tarde de quinta-feira (15), no Parque São Domingos, zona norte de São Paulo, enfrentava problemas de saúde, estava na fila para um transplante e vivia um relacionamento marcado por desgastes emocionais, de acordo com depoimento de uma parente.
Camila Pereira da Silva, 32, que segurava uma faca em uma das mãos, foi baleada a curta distância pelo PM André Coelho Maximo da Costa, 30. Ele foi preso em flagrante sob suspeita de homicídio doloso, quando há intenção. Nesta sexta-feira (16), ele foi solto em audiência de custódia.
O policial disse, em interrogatório para policiais civis, não ter habilitação para uso de arma de choque, o taser.
O advogado do PM, Gilberto Quintanilha Pucci, afirmou –antes da liberação do seu cliente– que a prisão era "arbitrária, desproporcional e desprovida da necessária análise das circunstâncias concretas dos fatos".
"É fundamental esclarecer que o policial militar, durante a ocorrência, atuou no exercício de suas funções institucionais, empregando os meios e equipamentos de que dispunha naquele momento, em conformidade com o treinamento recebido e com os protocolos operacionais estabelecidos pela própria Polícia Militar".
A reportagem fez uma série de questionamentos para SSP (Secretaria da Segurança Pública), além de um pedido de entrevista com a coronel Glauce Anselmo Cavalli, comandante da PM. O pedido, feito às 19h28 de quinta-feira (15), não havia sido respondido até a publicação do texto.
Entre as perguntas não respondidas estão: policiais militares são instruídos ao uso de armas de choque? Quantas armas de choque a PM de SP possui? No caso da morte de Camila Pereira da Silva, qual ação deveria ter sido tomada antes do disparo à queima-roupa em uma parte vital?
Na tarde de quinta, Camila teria ido até a residência de um ex-namorado. Ela não aceitava o término do relacionamento, conforme depoimentos.
Uma tia de Camila relatou a policiais civis que a sobrinha vivia um relacionamento conturbado com um namorado, marcado por desentendimentos e desgastes emocionais, que ela descreveu como violência psicológica. A situação causava significativo sofrimento emocional a Camila, acrescentou.
A tia contou que Camila tinha a saúde fragilizada e estava havia dois anos na fila para um transplante de fígado. Por causa do quadro, precisava comparecer semanalmente ao hospital para acompanhamento e tratamento médico. A condição a impedia de trabalhar.
A parente afirmou não ter conhecimento de transtornos psiquiátricos ou de qualquer enfermidade de ordem mental. Para ela, Camila não tinha intenção de agredir ou matar ninguém. Disse acreditar que a sobrinha queria intimidar ou assustar o ex-companheiro.
Ela classificou Camila como uma pessoa dedicada à maternidade, uma boa mãe, que mantinha vínculos afetivos com as filhas e se preocupava com o bem-estar delas. Camila deixou duas filhas pequenas. A idade das crianças não foi divulgada.
O ex-namorado também foi ouvido por policiais civis.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Cotidiano.