Medina tem 'caminho livre' com queda de brasileiros, mas encara pedreira
Gabriel Medina ganhou, nesta terça-feira, uma oportunidade que provavelmente não esperava encontrar tão cedo em Fiji.
Miguel Pupo, Yago Dora e Italo Ferreira, respectivamente quarto, terceiro e líder do ranking mundial, foram eliminados de Cloudbreak. De uma hora para outra, a chance de Medina diminuir a distância para os concorrentes diretos na briga pelo título mundial ficou ainda maior.
Leonardo Fioravanti, segundo colocado do ranking, avançou à semi na última bateria do dia e continua vivo na disputa. E existe até a possibilidade de o italiano recuperar a liderança. Mas, para isso acontecer, precisará vencer a etapa.
Medina ainda precisa passar pelas quartas de final. Sua bateria, a última da fase, foi adiada depois que as condições do mar pioraram. E o adversário não poderia ser mais complicado: Kauli Vaast.
O francês nascido no Taiti é estreante no Circuito Mundial, mas carrega um currículo que não combina nem um pouco com o de um novato. É o atual campeão olímpico e, principalmente, um especialista justamente no tipo de condição que Cloudbreak está oferecendo: ondas pesadas, tubulares e de consequência.
Se o histórico já era suficiente para ligar o alerta, Kauli tratou de aumentá-lo ainda mais nas oitavas.
Contra Miguel Pupo, o taitiano somou impressionantes 19,07 pontos de 20 possíveis. Foram um 9,07 e um 10 perfeito, o segundo da competição. Na onda da nota máxima, foi engolido pelo tubo, acelerou no momento certo e conseguiu sair de forma brilhante.
É o tipo de surfe que já vimos nesta etapa - e que lembra muito o 10 perfeito de Erin Brooks nos primeiros dias de competição.
Medina e Vaast, aliás, nunca se enfrentaram em uma bateria mano a mano no CT. Será o primeiro duelo entre os dois.
E é justamente por isso que acho que a oportunidade de Gabriel precisa ser tratada com cuidado.
A queda dos brasileiros abriu uma janela enorme para ele. Mas não adianta olhar para o que aconteceu com Italo, Yago e Miguel se não fizer a própria parte.
Caso avance à semi, Medina assume a quarta colocação do ranking e encosta novamente em Yago Dora. Mas, para realmente transformar Fiji em um ponto de virada na temporada, o brasileiro precisa ir além.
A conta mais interessante está na possibilidade de vencer a etapa. Medina não ganha um evento do Circuito Mundial desde 2023. E uma vitória em Fiji, onde já foi campeão duas vezes, teria um peso enorme na disputa pelo tetracampeonato.
A diferença para Italo, que começou a etapa perto dos 12 mil pontos, pode cair praticamente pela metade caso Medina conquiste o título. Isso mudaria bastante o cenário para as últimas etapas da temporada.
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