Nem todo eleitor que deixa de votar é desinteressado pela política, diz pesquisador
Abstenção nas eleições de 2026 é a segunda maior desde a redemocratização Mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de ir às urnas no primeiro turno das eleições de 2026.
No entanto, esse número não pode ser interpretado como uma grande massa de pessoas desinteressadas pela política, afirma o cientista político e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) Jairo Nicolau.
Autor do livro "O País Dividido", que analisa as últimas duas décadas de eleições no Brasil, Nicolau explica que o total de ausentes reúne pessoas com perfis e motivos diferentes para não votar.
Isso inclui desde eleitores que não são obrigados a votar até aqueles que moram longe de seu domicílio eleitoral.
Há também problemas de cadastro, como municípios com mais eleitores registrados do que habitantes.
Em entrevista ao g1, o pesquisador afirmou que não é possível determinar quantos brasileiros deixaram de votar simplesmente por falta de interesse na eleição.
“A gente não sabe porque não há pesquisa”, disse.
Segundo ele, os institutos costumam concentrar seus levantamentos nas intenções de voto, e não nas razões que levam parte do eleitorado a não comparecer às urnas.
Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (9) mostrou que viagem (19%), problemas de saúde (18%), desinteresse (13%) e trabalho (9%) foram os principais motivos do eleitor para não votar no primeiro turno.
Eleitores ouvidos pelo g1 em outra reportagem citam também a burocracia para transferir o título e questões de acessibilidade aos locais de votação como motivos para o não comparecimento.
A eleitora Bianca Dantas contou que, após passar por uma cirurgia no joelho duas semanas antes do primeiro turno, não conseguiu chegar à seção eleitoral porque não conseguia subir escadas.
“Quantas pessoas deixaram de votar por essa mesma razão, né? Pessoas que sofreram acidentes, enfim, e isso foi muito frustrante para mim.
Estar ali na porta e ter que virar as costas e ir embora sem poder votar”, disse.
Leia a reportagem completa. ➡️No primeiro turno, em 4 de outubro, a abstenção ultrapassou 33,4 milhões de eleitores — 21,08% do eleitorado apto a votar — e atingiu o maior patamar desde 1998.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Política.