O Último Voo da Nave e as crianças que muitos insistem em não enxergar
Há quem ainda acredite que a homossexualidade surge apenas na adolescência.
Essa ideia ignora a experiência de milhares de pessoas que, desde muito cedo, já se percebiam diferentes, mesmo sem compreender exatamente o que sentiam.
Eu fui uma dessas crianças.
Cresci nos anos 1980, quando não havia espaço para falar sobre diversidade, orientação sexual ou acolhimento.
É importante dizer: reconhecer que existem crianças gays não significa sexualizar a infância.
Crianças não vivem sua orientação sexual como adultos.
O que existe é a percepção de afetos, interesses e comportamentos que fogem às expectativas impostas pela sociedade.
Muitas vezes, a descoberta não acontece por um entendimento interno, mas porque o mundo aponta essa diferença.
Bastava um menino ser mais delicado, preferir brincar com meninas ou não gostar de futebol para virar alvo de piadas, apelidos e exclusão.
Antes mesmo de saber o significado da palavra “gay”, muitos de nós já entendíamos que havia algo em nós que incomodava os outros.
As agressões raramente eram apenas físicas.
Vinham em forma de risadas, olhares e frases como: “Não ande com ele, senão vão pensar que você também é.” Para uma criança de oito ou nove anos, esse tipo de violência deixa marcas profundas.
É justamente na infância que construímos nossa autoestima.
Quando o mundo nos devolve vergonha e rejeição, passamos a acreditar que existe algo errado conosco.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.