Candidato 'médio' de 2026 é homem, branco, hétero e empresário
Homem, hétero, negro, casado, empresário e com idade média de 49,5 anos. Este é o perfil da maior parte dos candidatos que concorre a algum cargo eletivo nas eleições deste ano, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Perfil se mantém como maioria há 28 anos, mas negros ficam levemente à frente. Os dados disponíveis do TSE sobre o perfil das candidaturas apresentam informações desde 1998. Apesar de os registros mais antigos não terem muitos detalhes, as informações daquele ano caracterizam os candidatos como homens (87,5%), casados (66%) e com ensino superior (49%), enquanto agora são 65,2% homens, 49,9 negros, 50,1% casados, 58,5% com ensino superior e 96,41% heterossexuais. Os números foram coletados às 18h30 deste domingo (16).
Mudança de profissão. Em 1998, o advogado era a profissão predominante (9,4%), e o empresário (7,5%) aparecia na segunda posição. A mudança ocorreu em 2010, quando a profissão mais comum declarada foi de empresário (7,5%), passando a de advogado (6,01%). Neste pleito, 12,5% afirmam ser empresários, 8,3% advogados e 4,3% deputados.
Autodeclaração de cor nas eleições gerais começou a ser registrada a partir de 2014. As pessoas que diziam ser brancas eram 55% naquele ano. No pleito de 2022, a autodeclaração de brancos caiu para 48,2%. Neste ano, são 48,7% . Em 2026, mais de 48% das pessoas se dizem brancas, 36,2% se declararam pardas e 13,7% pretas.
Candidaturas somam mais de 20 mil. O perfil dos candidatos é referente a todos os cargos disponíveis para a disputa eleitoral deste ano. As vagas são para presidente da República, senador, deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e governador, além dos vices.
Leve avanço de representatividade. Enquanto das eleições de 1998, as mulheres representavam 13% das candidaturas, neste ano, já são 34,8%. Na avaliação de Guilherme Augusto Mota, especialista em direito eleitoral, a redução da participação e ingresso de mais mulheres na política, ao longo dos anos, demonstra uma abertura progressiva do processo político. "As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro, mas continuam proporcionalmente menos presentes entre os candidatos e, sobretudo, entre os eleitos. Isso revela um verdadeiro funil de representação", diz.
Necessidade de mais políticas públicas. O especialista ainda aponta que as políticas afirmativas para inclusão têm tido efeitos, embora lentos. Mota cita três barreiras para serem superadas: a entrada na política, com melhores estruturas partidárias e econômicas; a competitividade, em aspectos financeiros, visibilidade, apoio das lideranças; e a conversão da candidatura em mandato.
A sub-representação não começa na urna. Muitas vezes começa muito antes, na definição de quem consegue entrar no partido, receber recursos e transformar uma candidatura formal em uma candidatura realmente viável. Guilherme Augusto Motta, advogado especialista em direito eleitoral
Profissões mais atreladas à política.
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