À espera de novas pistas eleitorais, Ibovespa cede à cautela de juros mais altos nos EUA
Pressionada pela inflação nos Estados Unidos e pelo clima de apreensão eleitoral no Brasil, a bolsa brasileira passou a manhã devolvendo parte dos ganhos recentes.
O tombo inicial, contudo, não ditou o ritmo final da sessão.
O Ibovespa encontrou fôlego no segundo tempo dos negócios e engatou uma reação gradual, amparado pela força das petroleiras e pelo alívio nos juros futuros.
O principal índice da B3 encerrou em leve queda de 0,2%, aos 206.506 pontos, ampliando as perdas na semana para 1,2%.
No mês, sobe quase 11% e, no ano, avança 28%.
O índice de preços ao consumidor (CPI) de setembro nos Estados Unidos subiu 3,7% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,3% no mês, acima das projeções de 0,2%.
O resultado acelerou as apostas no mercado de derivativos para novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) de 10 anos para a faixa de 5,3%.
Logo após a leitura da inflação, as apostas de que o Fed terá de subir os juros em 0,25 ponto na reunião de 28 de outubro saltaram da faixa de 22% na véspera para perto de 37%.
Apesar do salto nas apostas para este mês, a manutenção das taxas no patamar atual ainda figura como o cenário majoritário para a reunião de outubro, com 63% de probabilidade.
O mercado, porém, passou a embutir com mais força a perspectiva de que uma nova alta de 0,25 ponto ocorra na reunião de dezembro, empurrando a taxa de juros americana para o intervalo entre 4,00% e 4,25% "O juro americano nesse nível acaba pesando em qualquer bolsa emergente", comenta Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital.
Para o especialista, o dado acabou provocando uma realização de lucros na bolsa brasileira.
E, em meio a uma alta que se aproxima de 11% em outubro, impulsionada por uma entrada de R$ 13 bilhões de capital estrangeiro logo após o primeiro turno, qualquer ruído no horizonte pode virar pretexto para o investidor embolsar os ganhos do rali.
A pressão sobre a inflação americana ganhou um ingrediente adicional vindo dos preços do petróleo, que voltaram a subir na esteira da escalada das tensões no Oriente Médio e pelo receio de novas interrupções na oferta global.
O contrato do petróleo Brent para dezembro subiu 0,4%, cotado a US$ 106,06 o barril, acumulando uma disparada superior a 70% no ano, enquanto o WTI para novembro avançou 1%, a US$ 95,01.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.