Montadoras chinesas ganham protagonismo no Salão de Paris
Paris | The New York Times Com os holofotes voltados para gigantes do setor automotivo, como General Motors e Toyota, os visitantes do Salão do Automóvel de Paris em 2006 talvez não tenham dado atenção a duas estreantes: a Landwind e a Great Wall Motor, da China .
Duas décadas depois, é impossível ignorar as montadoras chinesas no evento, realizado a cada dois anos. A ambição da China está por toda parte no amplo centro de exposições Paris Expo Porte de Versailles nesta semana.
Apesar dos esforços europeus para conter a entrada de carros chineses de baixo custo , as empresas do país não dão sinais de desaceleração. Impedidas de atuar nos Estados Unidos e diante da demanda fraca no mercado doméstico, elas pretendem ampliar os ganhos rápidos na Europa e expandir a produção local para se antecipar a restrições comerciais mais rigorosas.
A Xpeng é um exemplo. A empresa chinesa está adotando uma estratégia de "na Europa, para a Europa", afirmou He Xiaopeng, um de seus cofundadores, em um discurso na terça-feira (13). A companhia pretende concentrar esforços na localização da produção na região e tem como meta vender cerca de 500 mil veículos por ano na Europa até 2030. He disse que a Xpeng está aberta a compartilhar sua tecnologia com empresas europeias.
Anne-Laure Paulic é uma possível cliente. Ela e a família consideram trocar seu BMW por um carro chinês, o primeiro da marca para eles. Paulic, que trabalha como consultora, e o marido viajaram de trem de sua casa na Bretanha, no noroeste da França, até Paris para conhecer os modelos mais recentes.
"É uma surpresa agradável", disse ela ao sair de um reluzente Xpeng G9L, produzido na Áustria e equipado com uma série de recursos cada vez mais comuns nos carros chineses: uma tela de 21 polegadas instalada no teto, bancos com controle de temperatura e função de massagem e uma geladeira. "Adoro esses acessórios tecnológicos."
A Espanha se tornou um dos principais destinos para montadoras chinesas que buscam parcerias com concorrentes europeias e americanas. Outro carro elétrico em exposição, o B10, da Leapmotor, é produzido na primeira fábrica europeia da empresa chinesa, em Zaragoza, e foi desenvolvido em parceria com a Stellantis.
A Geely trabalha com a Ford Motor na fábrica da empresa americana em Valência . A SAIC planeja fabricar carros na Galícia, e a Chery se associou a uma marca espanhola para produzir veículos em Barcelona.
Outros países também atraem empresas chinesas. A BYD, maior fabricante de veículos elétricos da China, planeja produzir carros na Hungria e avalia instalar outras fábricas, possivelmente na França. A tendência deve continuar à medida que empresas europeias em dificuldades recorrem a concorrentes chinesas para ocupar unidades fabris subutilizadas.
As companhias chinesas pretendem fabricar mais carros na Europa enquanto autoridades da região tentam limitar suas exportações. Representantes da União Europeia afirmaram que um acordo com Pequim, previsto para sexta-feira (16), poderia reduzir pela metade o número de carros híbridos chineses enviados ao bloco nos quatro anos seguintes, aliviando a pressão sobre a indústria automotiva europeia.
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