Produtividade: o verdadeiro divisor entre crescimento cíclico e desenvolvimento estrutural
O debate econômico brasileiro costuma concentrar-se em variáveis conjunturais como taxa de juros, câmbio e política fiscal.
Essas dimensões são relevantes, mas não explicam sozinhas a diferença entre crescimento episódico e desenvolvimento sustentável.
O fator estrutural que define essa diferença é a produtividade .
Estagnação da produtividade no Brasil A produtividade do trabalho no Brasil evidencia um quadro de estagnação estrutural que compromete o desenvolvimento econômico de longo prazo.
Dados do Conference Board e do FGV IBRE revelam que a produção por trabalhador no país equivale a apenas 25% da observada nos Estados Unidos; na prática, um profissional brasileiro leva uma hora para gerar o mesmo valor que um norte-americano entrega em apenas 15 minutos.
Enquanto na década de 1980 o Brasil mantinha um patamar de eficiência próximo a 40% do nível dos EUA, o país perdeu terreno para emergentes asiáticos, como a Coreia do Sul, cuja produtividade saltou de níveis inferiores aos brasileiros para cerca de US$ 48 por hora, contra os atuais US$ 19 do Brasil.
Esse hiato não reflete uma falta de esforço laboral, mas sim um déficit de eficiência: com um crescimento médio de apenas 0,6% ao ano nas últimas quatro décadas, a economia brasileira permanece retida na “armadilha da renda média”, incapaz de converter horas trabalhadas em riqueza real devido aos gargalos crônicos em infraestrutura, educação técnica e inovação.
Causas da baixa produtividade Investimento insuficiente em capital fixo Enquanto países que hoje lideram cadeias globais de valor aumentaram consistentemente sua produtividade nas últimas três décadas, o Brasil experimentou avanços lentos e irregulares.
Essa realidade não pode ser atribuída a esforço individual.
Trata-se de um fenômeno sistêmico, a formação bruta de capital fixo no Brasil gira em torno de 18% do PIB, patamar insuficiente para sustentar modernização acelerada da infraestrutura e do parque produtivo.
Economias que sustentam ciclos longos de crescimento geralmente investem acima de 25% do PIB, ampliando capacidade produtiva e incorporando tecnologia de forma mais intensa.
Defasagem tecnológica e infraestrutura A defasagem tecnológica também é relevante.
O investimento brasileiro em pesquisa e desenvolvimento oscila em torno de 1% do PIB, percentual inferior ao observado em economias que lideram inovação global, onde esse índice frequentemente supera 2% ou 3%.
A consequência é menor difusão tecnológica, especialmente entre pequenas e médias empresas.
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