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'Dark Horse' tem contradições para justificar dinheiro de Vorcaro e falta de prestação de contas

Folha de S.Paulo ·
'Dark Horse' tem contradições para justificar dinheiro de Vorcaro e falta de prestação de contas

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Três meses depois de ter sido revelado que o filme " Dark Horse " foi financiado por Daniel Vorcaro , do Master, não foram apresentados nem a prestação de contas do longa nem o contrato com o banqueiro.

Ainda na pré-campanha presidencial, Flávio Bolsonaro ( PL ) confirmou, após negativa inicial, o recebimento de dinheiro de Vorcaro para o filme, que contará a história de seu pai, mas não mostrou os dados. Sua assessoria disse à Folha nesta sexta-feira (28) que cabe à produtora do longa dar as explicações.

Em entrevista à Globo também nesta sexta, Flávio oscilou entre dizer que "nunca é demais" explicar a relação com o ex-banqueiro e afirmar que o tema está "mais que esclarecido" e é "livro que está fechado, ressignificado e na prateleira".

Ele voltou a dizer já ter mostrado a prestação de contas, se referindo a um laudo pericial feito a pedido da Go Up, produtora da obra, que não detalha pontos relevantes sobre o caminho do dinheiro.

O laudo pericial elaborado a pedido de Karina Ferreira da Gama , dona da Go Up, foi anexado em processo envolvendo a empresária e um contrato de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo. O documento foi produzido com base em materiais disponibilizados por ela.

O documento aponta os gastos no período de 1º de junho de 2025 a 4 de junho de 2026, no valor de US$ 3.728.084.66 para o filme no Brasil. A maior parte dos custos foi coberta, segundo a perícia, a partir de repasses da Go Up Entertainment LLC, registrada nos Estados Unidos .

Outra parte das despesas com a produção foi paga diretamente pelo braço da empresa naquele país, num total de US$ 9.664.996,63.

Somadas as despesas no Brasil e nos Estados Unidos, a perícia aponta custo total de produção de US$ 13.393.081,29. Na taxa de conversão adotada por ela, o valor equivale a R$ 75.182.282,80.

A perícia diz ter tido acesso ao contrato de investimento do Havengate Development Fund LP , que teria recebido o dinheiro enviado por Vorcaro para a produção do filme.

O fundo fechou o contrato em 24 de fevereiro de 2025 para investir na obra. Até a data de elaboração do laudo, assinado em 10 de junho de 2026, o aporte somou US$ 13.393.081,29, o valor exato que a perícia identificou como o custo total da produção.

A perícia disse ter constatado a ausência de recursos públicos, incentivos ou patrocínio, com todo o dinheiro sendo de origem privada. Não explica, porém, quais foram os fornecedores que receberam da Go Up, nem mostra documento fiscal que comprove o destino dos valores.

O documento apresenta categorias gerais de despesa, como "elenco, atores e figurantes" ou "equipe técnica e produção executiva". Também não explica se o valor é compatível com o mercado cinematográfico. A produção levantou suspeita pela ausência de experiência da produtora e pela despesa superior ao orçamento usual da indústria cinematográfica.

À reportagem a produtora afirmou, em maio, que consultaria uma "firma de auditoria internacional independente de primeira linha para auditar toda a movimentação financeira", o que não ocorreu.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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