Associação entre bandidos e policiais atingiu 3 forças de segurança de MS
A organização criminosa investigada na Operação Infiltrados, formada por policiais e traficantes, usou diferentes estruturas da segurança pública de Mato Grosso do Sul para desviar drogas, obter informações sigilosas e dificultar investigações.
A denúncia apresentada à justiça este mês, pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), aponta a participação de policiais civis, militares e de um policial penal no esquema, ou seja, três das forças de segurança estaduais.
Na peça acusando 23 pessoas de crimes, o Gaeco levanta suspeitas sobre a regularidade de procedimentos realizados pelos policiais para proteger os traficantes.
Um dos episódios descritos pelo grupo especial do MPMS envolve a condução do traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, à Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
Ele foi levado à unidade por policiais que, segundo a investigação, mantinham relações com o esquema.
A ocorrência foi registrada como desobediência e desacato, versão considerada suspeita pelos promotores.
Foi identificada pela ocorrência nº 82/2021, na qual “LK” aparece como conduzido à Denar pelos policiais civis Neverson Vieira de Araújo e Adriano Luiz Graeff.
Segundo o registro oficial, o homem teria cometido os delitos durante uma abordagem policial.
O Gaeco, porém, questiona a justificativa apresentada.
Não ficou claro o motivo do suposto desacato.
Na denúncia, os promotores destacam que “LK” não foi preso em flagrante por tráfico de drogas e que não havia registro de apreensão de entorpecentes naquela ocorrência.
Para os investigadores, a condução à delegacia pode ter servido para justificar um encontro entre o traficante e policiais envolvidos no esquema, sob a aparência de um procedimento regular.
Dinheiro na conta - A suspeita ganhou força com a descoberta de conversas e movimentações financeiras entre LK e Neverson, um dos responsáveis pela condução.
Documentos bancários revelam três transferências diretamente para a conta do policial, totalizando R$ 1,5 mil, em operações realizadas entre 2021 e 2022.
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