Menos Haddad & mais Janones
Os resultados parciais do processo de apuração dos votos na noite de 25 de outubro começaram a surpreender, pouco a pouco, os analistas, ativistas e militantes que ainda se sentiam um tanto intimidados pelo que havia sido divulgado até à véspera do pleito.
Afinal, a grande maioria das pesquisas apontava um quase empate estatístico, mas com uma ligeira vantagem para o filho de Jair Bolsonaro.
Os riscos associados ao eventual retorno da extrema direita ao poder federal eram terríveis e operavam como um fator de dúvida e desânimo, mesmo após as gigantescas manifestações de apoio nas ruas e nas redes sociais.
No entanto, à medida que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ia incorporando as informações das urnas e das seções pelo Brasil afora o quadro começou a mudar drasticamente.
O comando da campanha de Flávio passou da euforia ao desespero, enquanto o oposto ocorria com os apoiadores de Lula.
No cômputo final, a civilização venceu a barbárie.
Assim, as explosões de alegria e disposição de luta se espalharam por todo o território nacional madrugada adentro.
Pela primeira vez na História, um candidato a Presidente da República que havia perdido no primeiro turno conseguia virar e chegar à frente no segundo turno.
Pela primeira vez, um incumbente ao Palácio do Planalto com elevada taxa de desaprovação de seu governo conseguia superar o adversário e se manter por mais um mandato.
Ora, mas a questão mais relevante que se coloca é buscar compreender como o governo Lula chegou a esse ponto de quase perder o pleito e devolver o poder à extrema direita.
Mais uma vez, cabe aqui como uma luva máxima, a frase do assessor de Bill Clinton nas eleições para a Casa Branca em 1992 – “É a economia, estúpido!”.
No nosso caso, talvez valesse um detalhamento: “É a política econômica, estúpido!”.
Afinal, o fato concreto é que a principal causa da quase derrota de Lula foi a orientação oferecida a ele por seu principal assessor para economia e ministro da Fazenda Fernando Haddad desde antes mesmo da posse em 1 de janeiro de 2023.
“Não temos recursos”: o governo não governou O Presidente eleito em outubro de 2022 havia prometido mudanças expressivas durante a campanha, a exemplo da revogação do Teto de Gastos, da reversão das privatizações da BR Distribuidora e da Eletrobrás, da revogação das reformas trabalhistas, entre outras.
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