Não é só no Brasil: El Niño preocupa agro da Argentina, Uruguai e Paraguai
Não é só no Brasil que o El Niño preocupa o agronegócio.
Na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, o fenômeno climático também entrou no radar de produtores, associações rurais e exportadores, com impactos que vão da recuperação das lavouras após períodos secos a danos provocados por temporais e riscos de interrupção das operações agrícolas.
A diferença entre os países está no estágio dos efeitos observados.
Na Argentina , as chuvas que chegaram no início de outubro começaram a recuperar a umidade do solo em áreas importantes para a produção de trigo e para o plantio de soja e milho.
No Paraguai , temporais e granizo já danificaram cultivos e estruturas agrícolas em algumas localidades.
No Uruguai , as projeções oficiais indicam maior probabilidade de precipitações acima da média durante a primavera e o início do verão, cenário que pode favorecer pastagens e lavouras, mas também aumentar os riscos de alagamentos e doenças.
Argentina: chuvas marcam ponto de inflexão após déficit hídrico Leia Mais Trigo tem piora na qualidade com excesso de chuvas no Sul do país Como o agro pode se preparar para o El Niño, segundo a Embrapa Chuva no RS aumenta alerta para produção de trigo Na Argentina, as precipitações do início de outubro começaram a mudar as perspectivas para a safra de verão depois de semanas de preocupação com a falta de água.
O relatório de 8 de outubro da Guia Estratégica para o Agro, da BCR (Bolsa de Comércio de Rosário), descreveu a semana como um ponto de inflexão para a região agrícola central.
Segundo a entidade, a região recebeu aproximadamente 50 milímetros de chuva, volume que ajudou a recuperar o potencial produtivo do trigo e a recompor as reservas hídricas do solo antes do avanço do plantio de soja e milho .
Nas áreas em que os acumulados superaram 40 milímetros, técnicos identificaram melhora nas perspectivas de rendimento do trigo.
O alívio é relevante porque, no fim de setembro, cerca de 70% da região agrícola núcleo estava em condições de escassez hídrica ou seca, segundo o acompanhamento da BCR.
O déficit prejudicava o desenvolvimento do trigo e dificultava o avanço da semeadura do milho.
A recuperação das condições de umidade, entretanto, não significa que o risco climático tenha desaparecido.
O desafio agora é administrar a possibilidade de precipitações excessivas justamente durante a implantação das lavouras de verão.
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