Governo alemão quer ampliar poderes de espionagem
Projeto do governo Merz permite sabotagem e invasão de domicílios por agentes de inteligência sem ordem judicial;
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O Gabinete Federal da Alemanha aprovou um projeto de lei que amplia os poderes dos serviços secretos do país.
A proposta, apresentada pelo governo do chanceler Friedrich Merz , autoriza o Escritório Federal para a Proteção da Constituição (BfV) e o Serviço Federal de Inteligência (BND) a realizar operações antes restritas à polícia ou às Forças Armadas , como sabotagem, neutralização de sistemas de TI e entrada em residências sem autorização da Justiça.
A matéria segue agora para votação no Bundestag , com previsão de entrada em vigor no início de 2027.
Até então, os órgãos de inteligência alemães atuavam quase exclusivamente na coleta de informações, diferentemente de agências como a CIA , dos Estados Unidos, ou o Mossad , de Israel, que também executam ações no campo operacional.
Segundo o texto aprovado, o BfV , responsável pela vigilância interna, e o BND , voltado ao exterior, passam a ter respaldo legal para agir de forma mais direta diante de ameaças.
Pelo projeto, os dois órgãos poderão neutralizar sistemas de tecnologia da informação usados em ataques cibernéticos contra a Alemanha. Em cenários que exijam defesa militar, o BND ficará autorizado a executar atos de sabotagem fora do país . Também está prevista a possibilidade de manipulação ou exclusão de dados por ambas as agências.
O BfV, por sua vez, poderá invadir residências sem aval prévio da Justiça — prerrogativa que a própria polícia alemã não possui, já que depende de autorização judicial para esse tipo de ação. Trata-se, segundo avaliação de defensores e opositores da proposta, da reforma mais ampla no setor desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945 , quando a separação entre inteligência e policiamento foi instituída como resposta às práticas da Gestapo , a polícia secreta do regime nazista .
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt , da União Social-Cristã (CSU), defendeu a medida ao afirmar que “sabotagem, espionagem, ataques cibernéticos e ações secretas de potências estrangeiras exigem novas respostas” .
Segundo o Ministério, o objetivo é equipar as agências para enfrentar o que Dobrindt chama de terrorismo de Estado moderno e violência extremista .
A Sociedade para os Direitos Civis (GFF) avalia que parte considerável do projeto, que ultrapassa 700 páginas, fere a Constituição alemã. Kai Dittmann , especialista da entidade, cita como ponto sensível o acesso amplo a sistemas de videovigilância pública e privada em tempo real previsto para o BfV.
A organização também questiona a autorização para cruzamento de dados biométricos com imagens disponíveis na internet e o uso desse material no treinamento de sistemas de inteligência artificial .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.