Família de menina palestina Hind Rajab diz que investigação de Israel busca "justificar" sua morte
A morte da menina de 5 anos provocou indignação internacional e pedidos para que fosse realizada uma investigação independente.
O Exército israelense admitiu na quarta-feira (19) que suas tropas atiraram contra o carro em que Rajab e sua família estavam, em contraste com sua versão anterior, na qual negava ter soldados posicionados na região.
O corpo de Rajab foi encontrado em um carro crivado de balas na Cidade de Gaza, dias depois de a voz da menina ter sido ouvida pela última vez em um telefonema desesperado de várias horas para o Crescente Vermelho Palestino, em 29 de janeiro de 2024.
A história dessa menina palestina inspirou o premiado filme franco-tunisiano "A Voz de Hind Rajab", vencedor do Leão de Prata no Festival Internacional de Veneza e indicado na última edição do Oscar na categoria de melhor filme internacional.
Os militares anunciaram que abriram uma investigação criminal para esclarecer "possíveis falhas na coordenação do deslocamento da ambulância do Crescente Vermelho Palestino".
A avó da menina, que também se chama Hind Rajab, afirmou que estão "surpresos" com a declaração emitida pelo Exército israelense e reconhecem que é a primeira vez que os militares admitem ter cometido "um erro".
"Mas, para nós, isso não é uma admissão, mas sim uma tentativa do Exército israelense de justificar perante o mundo como cometeu o crime e como executaram Hind ao vivo e diante dos olhos de todo o mundo", acrescentou.
Para Rajab, os militares estão tentando "justificar sua posição perante o mundo, argumentando que o ocorrido foi um erro e que os soldados que o cometeram serão processados".
A menina ligou para o número de emergência depois que o carro de sua família foi alvejado quando eles tentavam fugir da Cidade de Gaza diante do avanço das tropas israelenses.
Seu corpo foi recuperado junto com os de seis familiares e dois socorristas do Crescente Vermelho enviados para procurá-la.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que a abertura da investigação criminal demonstra que o país é uma democracia que respeita a lei e está comprometido com o Estado de Direito.
"Nós não confiamos no sistema de Justiça de Israel, não confiamos neles porque cometeram inúmeros crimes", explicou a avó de Rajab à AFP.
Para ela, as autoridades reconheceram o incidente porque ele estava documentado, mas "muitos outros crimes ocorreram em Gaza que não foram documentados".
A ofensiva militar de Israel em resposta ao ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 deixou mais de 73.300 mortos em Gaza, segundo números do Ministério da Saúde do território palestino, que opera sob a autoridade do Hamas. Esses dados são considerados confiáveis pela ONU.
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