Bets precisam de regulação e prazo para mudanças, não de proibição afoita
Por mais bem intencionados que sejam os movimentos pela extinção das bens e posições como a de Paula Lavigne, há uma certa falta de realismo ao julgar que a proibição acabará com apostas e apostadores. Diferentemente disso, pode quebrar a indústria do futebol se for tomada sem tempo de adaptação, ao menos.
Sem jamais ter apostado, morando no Rio de Janeiro durante o governo Michel Temer, comecei a ser bombardeado por perguntas frequentes: "PVC, quanto vai ser Osasuna x Betis. " Repondia com perguntas sobre por que o cara da mesa ao lado queria minha opinião sobre um jogo de segundo escalão da Espanha.
As apostas eram proibidas e, mesmo assim, os caras entravam em sites de qualquer lugar do mundo para apostar. Só no fim do governo Temer houve a legalização. O governo Bolsonaro fracassou na missão de regulamentar em dois anos. Ajudaria a combater o vício mais rápido.
Com o trabalho da Secretaria da Fazenda, a regulamentação fez sites legalizados pagarem impostos, gerarem empregos e terem obrigação de trabalhar contra o vício. Isso tudo precisa ser aprimorado. Há muito trabalho a fazer.
Proibir é recolocar os apostadores, os viciados e os endividados de volta no mercado clandestino. Alguém vai conseguir bloquear os aplicativos internacionais e os acessos pela internet? Até na China alguém acessa o que quiser com uma VPN.
Na Inglaterra, houve três anos de prazo para acabar com as propagandas na parte frontal dos uniformes de clubes. Onze times da Premier League tiverem de se adaptar. Houve prazo para a indústria não falir.
Esse realismo é essencial. Não pode ser casuísmo eleitoral. Não pode ser da noite para o dia, como fez dona Santinha, primeira dama no governo Dutra.
As bets são assunto extremamente delicado. Sua regulação, fundamental. Razão suficiente para não tomar nenhuma decisão afoita. Acabar com as apostas não acabará com o apostador. Pôde até deixá-lo mais exposto ao vício e à clandestinidade.
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