O que 20 minutos de exercício fazem no cérebro após uma noite sem dormir
Freepik Depois de uma noite inteira sem dormir, é intuitivo imaginar que fechar os olhos por algum tempo ajude o cérebro a funcionar melhor.
O que surpreendeu pesquisadores foi perceber que, para uma função específica da memória, 20 minutos de exercício aeróbico também produziram benefício —e de magnitude semelhante ao observado depois de 90 minutos de sono.
O achado aparece em um estudo publicado em agosto na revista científica PNAS.
Os pesquisadores mantiveram adultos jovens e saudáveis acordados por 30 horas seguidas e, ao final desse período, dividiram os participantes em três grupos: um fez 20 minutos de exercício aeróbico, outro dormiu por 90 minutos e o terceiro permaneceu sem nenhuma das duas intervenções.
Depois, todos passaram por uma tarefa destinada a avaliar a capacidade de formar novas memórias.
Em comparação com o grupo-controle, quem fez exercício teve desempenho 21% maior.
Entre os participantes que dormiram, a diferença foi de 23%.
Estatisticamente, não houve diferença significativa entre os dois resultados.
A semelhança, no entanto, termina aí.
Quando os pesquisadores observaram a atividade cerebral dos voluntários, perceberam que sono e exercício haviam levado a um resultado parecido por mecanismos diferentes.
Dormir reduziu sinais ligados à pressão do sono e à fadiga neural.
O exercício não eliminou a privação, mas pareceu fazer com que o cérebro utilizasse de maneira mais eficiente recursos envolvidos na atenção e na formação das memórias.
“O estudo não demonstra que exercício substitui sono”, afirma Andrea Bacelar, neurologista e vice-presidente da Academia Brasileira do Sono – Regional Rio de Janeiro.
O exercício melhorou o desempenho da memória, mas não retirou o cérebro do estado de privação de sono —diferença que apareceu claramente no eletroencefalograma.
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