Legado de Christine Lagarde à frente do BCE é de diplomacia e foco na estabilidade
“Ranger os dentes e sorrir”.
Uma brincadeira que Christine Lagarde fez sobre que aprendizado sua passagem ainda na adolescência na equipe nacional francesa de nado sincronizado poderia ajudar à frente do Fundo Monetário Internacional mostrou que a diplomacia seria sua marca.
E o mesmo se deu depois, quando assumiu o comando do Banco Central Europeu (BCE), cadeira que vai deixar em fevereiro de 2027.
Esse perfil mais direto, conciliador e pragmático fez de Lagarde um liderança incontestável em vários dos momentos mais desafiadores do ponto de vista geopolíticos e econômico das últimas décadas.
Lagarde comandou o FMI durante a crise econômica global e o BCE na pandemia de Covid-19, que trouxe um surto inflacionário ao continente europeu, agravado pela invasão russa na Ucrânia.
Leia também Presidente do BCE, Christine Lagarde renuncia ao cargo a partir de 7 de fevereiro O mandato de Lagarde estava previsto para se estender até o final de outubro de 2027 Nesses momentos, ela optou pela comunicação mais direta, sem uso de linguagens mais tecnocráticas adotadas por antecessores – como faziam Dominique André Strauss-Kahn no FMI e Mario Draghi no BCE.
Christine Lagarde é tida por muitos como o arquétipo da executiva moderna, capaz de navegar com sucesso pelos mundos da política e das finanças.
Nascida em 1956 em Paris e filha de professores, ela cresceu em uma família modesta em Le Havre.
Considera uma aluna brilhante, ganhou uma bolsa ao final do Ensino Médio para estudar por um ano nos Estados Unidos, onde também realizou um estágio como assistente parlamentar no Capitólio.
De volta à França, continuou seus estudos de direito e se formou no Institut d’études politiques d’Aix-en-Provence, em 1977.
Após um breve período como professora na Universidade Paris X Nanterre, Lagarde fez carreira como advogada nas áreas de direito comercial, fusões e aquisições, direito antitruste, direito trabalhista e arbitragem para clientes corporativos internacionais Entre 1995 e 2005, Lagarde presidiu o escritório da Baker McKenzie em Paris, assumindo depois a diretoria global do grupo em Chicago, nos EUA.
Foi então que ela partiu para o serviço público e iniciou uma carreira meteórica.
Foi ministra de Comércio da França entre 2005 e 2007, passando depois rapidamente pelo Ministério da Agricultura e Pesca.
Entre 2007 e 2011, assumiu o comando da importante pasta de Economia e Finanças do governo francês, período no qual acumulou cargos como a presidência do G20 e a representação da França dentro da União Europeia.
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