Reforma Tributária: o fim da guerra fiscal e uma nova geografia empresarial
A Reforma Tributária vai produzir uma série de mudanças nas empresas e, pode, inclusive, mexer no mapa empresarial brasileiro.
Isso porque, durante décadas, benefícios de ICMS influenciaram decisões sobre onde instalar fábricas, centros de distribuição e outras estruturas.
Com a redução dos incentivos durante a transição do ICMS para o IBS, parte dessa lógica tende a perder importância.
Isso não significa, contudo, que empresas mudarão automaticamente de endereço.
Significa que uma localização escolhida no passado por vantagem tributária terá de ser novamente comparada com fatores econômicos mais tradicionais, como distância do mercado consumidor, custo de transporte, fornecedores, infraestrutura e eficiência logística.
É nesse contexto que os 57% de empresas beneficiárias de incentivos que consideram rever localização ou supply chain ganham outra dimensão.
A informação é da pesquisa Tax do Amanhã, apresentada pela consultoria Deloitte nesta terça-feira (01) e mostra que uma reforma como essa pode terminar mudando rotas de caminhões, localização de estoques e até decisões sobre novos investimentos.
Mudança na engrenagem Outro componente da reforma pode ter também um efeito forte mais adiante, atingindo diretamente o fluxo financeiro das empresas: o split payment.
Neste novo modelo, a instituição financeira deverá separar, na hora do pagamento, a parcela correspondente ao tributo e direcioná-la diretamente ao Fisco, enquanto o fornecedor recebe apenas o valor líquido da operação.
Leia mais: Reforma Tributária deve mexer na estratégia de negócios das empresas Hoje, em determinadas situações, o fornecedor recebe o valor integral e recolhe posteriormente o tributo.
Com o split, parte desse dinheiro deixa de transitar pelo caixa da companhia.
Por outro lado, o mecanismo pode dar ao comprador maior segurança sobre o recolhimento e a apropriação de créditos.
A implantação, porém, será gradual, e os próprios representantes da Deloitte ressaltaram que o sistema não passará de zero a funcionamento integral de uma vez.
Essa mudança reforça novamente a dimensão empresarial da reforma.
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