Equador vive crise eleitoral sob Noboa com partidos suspensos e eleições regionais antecipadas
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Luisa González já tentou três caminhos para disputar o governo de Manabí nas eleições regionais do Equador , em 29 de novembro. Ex-candidata à Presidência e uma das principais lideranças da oposição ao presidente Daniel Noboa , pretendia concorrer pela Revolución Ciudadana (RC), partido do ex-presidente Rafael Correa.
A legenda foi suspensa pela Justiça Eleitoral, e seus candidatos buscaram abrigo no movimento Amigo, que também acabou suspenso. González então aceitou um convite do Pachakutik, braço político do movimento indígena. Mais uma vez, teve a candidatura barrada.
González acusa Noboa de usar as instituições para afastar adversários, embora não haja provas diretas de envolvimento do governo — o presidente nega . Mas a sucessão de impedimentos a ela e a partidos da oposição, somada à antecipação das eleições, levou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a emitir um alerta sobre a disputa.
Em comunicado no fim de agosto, a CIDH pediu ao Equador que garantisse "participação política plural e igualitária". A comissão destacou que a antecipação das eleições reduziu o tempo para primárias, inscrição de candidatos e para a campanha, e manifestou preocupação com a possibilidade de os partidos competirem em condições equitativas.
"É difícil afirmar com certeza que a mão de Daniel Noboa esteja por trás das instituições que estão impedindo certos partidos de competir", disse César Ricaurte, diretor da Fundamedios, organização equatoriana de defesa da liberdade de expressão. "Mas o que é certo é que, com esses impedimentos, a eleição vai ficando cada vez menos competitiva. Como consequência, quem ganha com isso é o partido de Noboa."
A crise acontece num país cujas instituições não começaram a ser politizadas com o atual presidente. "A atual legislação eleitoral do Equador é a mesma que foi implementada durante os anos de Rafael Correa. Se hoje há uma crise de institucionalidade, ela vem de governos anteriores", afirma Ricaurte, que durante o correísmo foi um dos principais críticos da perseguição a jornalistas e meios de comunicação no país.
É sobre esse terreno já fragilizado que se desenrola a disputa atual, iniciada em março, quando a Justiça Eleitoral suspendeu por nove meses a Revolución Ciudadana, a pedido da Procuradoria, no âmbito do caso Caja Chica. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento irregular da campanha presidencial de 2023.
Nem todas as ações contra candidatos oposicionistas prosperaram. Em agosto, a Justiça Eleitoral rejeitou uma denúncia contra Pabel Muñoz, prefeito correísta de Quito que busca a reeleição.
Mais do que cada caso isoladamente, é o efeito acumulado das decisões —e o calendário em que elas ocorrem— que preocupa a CIDH.
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
As eleições estavam originalmente marcadas para 14 de fevereiro de 2027. Em 27 de março, poucas semanas depois da suspensão da RC, o Conselho Nacional Eleitoral decidiu antecipá-las para 29 de novembro deste ano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Mundo.