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Com medo do ICE, brasileiro de 16 anos irá deixar escola e voltar ao Brasil

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Com medo do ICE, brasileiro de 16 anos irá deixar escola e voltar ao Brasil

Bruno, brasileiro de 16 anos, deixará os Estados Unidos com a família por medo de ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, o ICE, e voltará ao Brasil. A organização norte-americana Chalkbeat relata o caso.

Os pais de Bruno decidiram voltar ao Brasil após receberem uma convocação da imigração dos EUA. A família aguardava a decisão de um juiz sobre o caso, mas, enquanto isso, permanecia no país em situação irregular.

A família chegou aos EUA em 2022 em busca de mais oportunidades de trabalho e de estudos. Amigos da família receberam cartas semelhantes e foram deportados, enquanto prisões e deportações pelo ICE cresceram em Nova Jersey durante o verão. Os pais de Bruno escolheram sair voluntariamente em vez de esperar uma possível deportação, na tentativa de preservar a chance de os filhos retornarem ao país no futuro.

Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, mais de um milhão de imigrantes optaram pela partida voluntária desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo. A alternativa legal permite às pessoas deixarem o país por conta própria dentro de um prazo determinado.

Lourdes, mãe do adolescente, diz que a decisão busca proteger os filhos de consequências maiores. "Somos apenas pais trabalhadores. Nosso sonho é que nossos filhos concluam os estudos e façam faculdade", afirma. "Não deveríamos viver com medo de sermos perseguidos pelo ICE." Os sobrenomes não foram divulgados devido aos riscos associados à situação migratória da família.

O governo federal tinha dado à família até 3 de agosto para sair dos EUA, mas as passagens que deveriam receber até 20 de julho não chegaram. Agora, eles pretendem partir até outubro, com ou sem os bilhetes.

A saída voluntária não assegura benefícios migratórios futuros, diz Priscilla Monico Marin, diretora executiva do Consórcio de Nova Jersey para Crianças Imigrantes. "Uma coisa é ser deportado e cair na clandestinidade; outra, bem diferente, é receber o benefício da partida voluntária e não o fazer", diz.

Bruno estudava na East Side High School, em Newark, e fazia disciplinas no Essex County College à tarde. Ele estava a caminho de concluir o ensino médio e obter um diploma de curso superior de dois anos em junho de 2027.

A volta ao Brasil deve obrigar o adolescente a repetir o penúltimo ano do ensino médio. O ano letivo brasileiro costuma ir de fevereiro a dezembro, e a chegada prevista para outubro ocorreria perto do fim das aulas.

Pandemia, mudança de país e aprendizado de inglês já tinham atrasado a trajetória escolar de Bruno. Ele chegou a Newark no meio do sétimo ano e diz que só passou a compreender o inglês e o conteúdo das aulas no primeiro ano do ensino médio.

Bruno deixará amigos, a igreja onde atua e a equipe de produção de vídeos que liderava na escola. Ele queria escolher entre estudar em um seminário ou cursar cinema ou biologia em uma faculdade.

Enquanto aguarda a partida, o adolescente frequenta a academia, ajuda na igreja e trabalha com o pai. Ele carrega o passaporte ao caminhar pelo bairro de Ironbound, em Newark, por receio de encontrar agentes do ICE.

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