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75% foram baleados por trás na ação policial mais letal do Brasil, diz ONG

UOL Notícias ·
75% foram baleados por trás na ação policial mais letal do Brasil, diz ONG

Novas imagens de câmeras corporais, laudos necroscópicos e análises de documentos, fotos e vídeos revelam que a ação mais letal da história da polícia no Brasil teve descumprimento de protocolos policiais, falhas de investigação e manipulação de câmeras corporais.

Os dados se referem à Operação Contenção, que resultou em 122 mortes nos conjuntos de favelas da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, em outubro do ano passado.

A Contenção foi uma operação realizada pelas polícias Civil e Militar com o objetivo de atacar o quartel-general da facção criminosa CV (Comando Vermelho).

Havia 51 pessoas com mandado de prisão em aberto. Em oito horas de ação, apenas quatro foram presas. Ao todo, 122 pessoas morreram: 117 apontadas pelo governo fluminense como suspeitas e cinco policiais.

A ONG HRW ( Human Rights Watch ) teve acesso a 4.400 horas de imagens das câmeras corporais dos policiais e analisou os 122 laudos de necrópsia , além de 8.800 páginas da investigação do MP (Ministério Público).

"O que impressiona é ter uma operação planejada durante muitos meses, segundo a própria polícia, onde os policiais tinham a obrigação de usar câmaras corporais, mas que nenhuma morte foi gravada nessas câmeras", diz o diretor da ONG no Brasil, César Muñoz .

Apenas um a cada cinco policiais que participaram da operação usavam câmeras corporais, segundo informou à época o governo do Rio ao STF (Supremo Tribunal Federal). Ao todo, 94% dos equipamentos que estavam com policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) deixaram de gravar ou funcionar ao meio-dia.

O horário coincide com a suspeita do MP, que apurava se ao meio-dia começou uma vingança no local depois de policiais civis terem sido baleados pela manhã. Nenhuma das imagens do Bope, que atuou na região da Penha conhecida como mata da Vacaria, registrou a operação depois das 12h11.

A tese de que ocorreu uma vingança a partir do início da tarde se sustenta na investigação porque 13 dos 14 policiais baleados foram internados até 13h30. Nenhuma prisão foi feita na região da Vacaria. O Bope recolheu 33 corpos nessa localidade, segundo documentos oficiais.

O protocolo da PM especifica que policiais devem verificar se as câmeras têm pelo menos 95% de bateria antes de começar a usar e que devem levar uma bateria extra quando escalados em serviços por períodos maiores que 12 horas, tempo de duração esperado da bateria.

Os comandantes do Bope afirmaram ao MP que embora a unidade tivesse 14 baterias extras, nenhuma delas foi levada para a operação.

"Como a operação começou às 5h, se você contar 12 horas, teria bateria até 17h. Na média, as câmeras que analisamos tiveram 6h38m de duração. Metade. E dá pra ver nas gravações que elas foram feitas enquanto os policiais não faziam nada. Os policiais obviamente sabiam aonde estavam indo. Então, descumpriram o protocolo de não levar bateria extra", afirma César Muñoz.

Em um vídeo gravado por um dos policiais, enquanto estava ao lado de pelo menos 19 corpos enfileirados próximo de um veículo blindado do batalhão, ele diz: "a gente gosta disso".

Parte dos mortos estava com roupas camufladas, frequentemente usadas por traficantes.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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