Conta-gotas da PF irrita Lula e aterroriza o filho de Bolsonaro
O futuro das urnas de 2026 a Deus pertence. Mas o passado capaz de influir no resultado da sucessão está nas mãos da Polícia Federal. Lula revela-se, em privado, irritado com o conta-gotas que diariamente pinga no noticiário novos achados dos investigadores sobre Lulinha, estrela de três inquéritos.
Flávio Bolsonaro e seus operadores administram o entusiasmo com parcimônia. Ora esfregam as mãos, ora permanecem de mãos postas, aterrorizados pela perspectiva de novas revelações do inquérito sobre o caso Dark Horse. Avaliam que é uma questão de tempo.
A apenas 45 dias do primeiro turno, os comitês cuidam dos minutos, porque as horas passam. Na noite passada, Lula trocou a posse do novo presidente do STJ, Luís Felipe Salomão, por uma reunião no Alvorada com Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha. Discute-se a hipótese de Lulinha se apresentar para depor, antecipando-se a uma intimação vista como incontornável.
Nesta quinta-feira, o Globo expôs a penúltima gota do caso Lulinha: o contrato que a lobista Roberta Luchsinger tentou cavar no Ministério da Saúde tinha valor expressivo: R$ 626 milhões em medicamentos à base de canabidiol. Isso supera em mais de quatro vezes e meia os R$ 131 milhões que Flávio Bolsonaro pediu a Daniel Vorcaro.
A diferença é que o negócio costurado entre a lobista do Careca do INSS e Lulinha não vingou. E o filho do capitão mordeu R$ 61 milhões de Vocaro. Em maio, disse que divulgaria em 30 dias a prestação de contas do dinheiro. Decorridos três meses, não tocou mais no assunto. Parece aguardar que uma gota da PF lhe caia sobre a cabeça.
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