Impopularidade e derrotas eleitorais pressionam Merz
Impopularidade e derrotas eleitorais pressionam Merz - Após derrota esmagadora da CDU para a AfD na eleição da Saxônia-Anhalt, conservadores questionam se atual chanceler alemão deve continuar liderando o governo. Mas não há reais alternativas.No início desta semana, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, estava em Rovaniemi, na Finlândia, quase 1.800 quilômetros ao norte de Berlim, para debater temas como matérias-primas, geopolítica, segurança e mudança climática com outros líderes europeus.
Mas o tema que o acompanhou, mesmo tão longe da agitação política da capital alemã, foram os rumores e debates sobre sua saída do governo. Há semanas que o partido dele, a conservadora União Democrata Cristã (CDU), discute se Merz ainda é a pessoa certa para ocupar o cargo de chefe de governo da Alemanha – apenas um ano e meio após a posse, em maio de 2025.
Apenas 10% dos alemães estão satisfeitos com o trabalho dele, mostrou uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (15/09), e a CDU, partido do chanceler, sofreu uma derrota esmagadora na recente eleição estadual da Saxônia-Anhalt.
E uma nova derrota significativa ameaça ocorrer em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental no próximo domingo. O partido do chanceler federal aparece com apenas 7% das intenções de voto. Até mesmo a possibilidade de não superar a cláusula de barreira de 5% já não pode mais ser descartada. Tudo indica que esse será o pior resultado já obtido pela CDU em eleições estaduais.
A eleição realizada no início do mês na Saxônia-Anhalt foi vencida pela Alternativa para a Alemanha (AfD), um partido classificado pelo serviço de proteção da Constituição daquele estado no centro da Alemanha como "comprovadamente extremista de direita" e que tem tirado votos dos conservadores.
Merz havia prometido, antes de assumir o cargo, reduzir pela metade a votação da AfD. Em vez disso, quem teve seus índices reduzidos pela metade foi o partido dele. E em Berlim a pergunta que se faz é: a culpa disso é de Merz e de seu estilo áspero de comunicação? De sua dificuldade em explicar reformas importantes, como a das aposentadorias?
Mesmo integrantes do governo falam abertamente sobre a insatisfação popular com o governo de Merz. "Acredito que surgiu a impressão, para muitas pessoas, de que o chanceler, e também nós como União Democrata Cristã, não demonstramos a empatia necessária. E isso precisa mudar", declarou a ministra da Educação, Karin Prien (CDU), à emissora ARD.
De fato, uma crítica frequente é que Merz muitas vezes demonstra falta de empatia e autocontrole. A planejada reforma das aposentadorias representa cortes duros para muitas pessoas, mas o chanceler costuma demonstrar impaciência ao falar sobre o assunto.
Ainda em julho, Merz disse publicamente que a opção de muitos alemães pela "semana de quatro dias e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal" poderia colocar em risco a prosperidade do país. Assim, afirmam os críticos do chanceler, fica difícil implementar reformas duras.
Quando microfones e câmeras estão desligados, representantes do governo se expressam de forma bem mais dura.
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