A estratégia de Lula para o discurso na ONU de olho na eleição brasileira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende aproveitar o discurso que abre tradicionalmente a participação dos países no Debate Geral da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, para falar ao mundo, mas também ao eleitor brasileiro.
Segundo fontes do governo e da campanha ouvidas pela coluna, o discurso deverá combinar uma apresentação institucional do Brasil com referências à eleição presidencial e a possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro.
Lula deverá abordar temas tradicionais de suas manifestações internacionais, como a defesa do meio ambiente e da Amazônia, além de apresentar ações do governo em áreas com repercussão fora do país.
A segurança pública também pode aparecer. O assunto ganhou peso depois que Donald Trump acusou o governo brasileiro de falhar no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho e cobrou medidas firmes contra as duas facções.
No governo e na campanha, a avaliação é de que nenhum presidente desperdiçaria uma exposição mundial dessa dimensão às vésperas de uma eleição. A estratégia é falar institucionalmente sobre o Brasil e, ao mesmo tempo, tentar transformar o palco da ONU em ganhos políticos dentro do país.
Há, porém, uma ressalva: o conteúdo ainda pode mudar até o momento do discurso. A crise no Supremo, que tem sequestrado o debate eleitoral e atrapalhado a campanha do presidente, pode obrigar Lula a rever de hoje para amanhã os temas e o tom de sua fala.
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