Pondé comenta Aristóteles e filósofos citados por ministros em sessão do STF; veja vídeo
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Afinal, Aristóteles realmente afirmou que a ironia serve para descontrair o ambiente, como colocou o ministro Flávio Dino ? Citado cinco vezes pelo ministro, o filósofo da Grécia Antiga não esteve sozinho ao longo da sessão no STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça (15), que discutiu se Alexandre de Moraes deve ser investigado.
Foram diversas as referências culturais movimentadas pelos ministros do Supremo que, em meio a bate-bocas , citaram Thomas Hobbes e Dieter Grimm, e também Fábio Porchat, Chico César e Clarice Lispector.
Para falar do uso da filosofia por parte dos ministros ao longo da sessão tanto histórica quanto tensa , a TV Folha convidou o colunista Luiz Felipe Pondé para comentar esses momentos filosóficos e e mostrar o que estas citações e referências nos contam a respeito da crise do STF, do caso Master e da corrida eleitoral.
"A resposta é que a República está à venda, independente de qual filósofo se citar", resume o escritor, ensaísta e doutor em filosofia pela USP.
O ministro undamentou sua declaração de impedimento citando o filósofo do direito Dieter Grimm. Para Pondé, citando Grimm, Kassio remete à noção de que deve se autolimitar para preservar a imagem do tribunal, independentemente de sua culpabilidade.
O decano da corte citou a terzietà (terceiridade, em português) do jurista italiano Luigi Ferrajoli: a exigência de que o julgador seja estritamente um terceiro alheio e afastado das pretensões das partes.
Pondé aponta que Gilmar usa essa argumentação para levantar dúvidas quanto à intenção de Mendonça em suas ações como relator do caso.
Em diálogo com o presidente Edson Fachin, o ministro Flávio Dino disse que "a ironia serve para discontrair o ambiente", atribuindo a autoria desse pensamento ao filósofo grego Aristóteles.
Segundo Pondé, essa não é exatamente a posição aristotélica sobre o conceito de ironia que, para o grego, seria um gesto oposto ao da arrogância. "O irônico faz o movimento de diminuir o próprio conhecimento. A gente nem pode dizer que a ironia visa tornar o ambiente leve. Ela visa produzir uma suspeita", diz Pondé.
Em outro momento da sessão, Dino voltou a citar Aristóteles: para o filósofo grego, moderação e ponderação seriam virtudes republicanas a se enaltecer.
Pondé confirma que Dino faz uma referência correta. "Aristóteles de fato fala isso. Para ele, a virtude suprema de um líder é a prudência. E uma das formas de ser prudente é sempre seguir a norma e não a opinião de uma pessoa", diz Pondé.
Na terceira menção ao filósofo clássico grego, Dino disse: "Eu sou daqueles que acham que a corrupção não justifica um combate corrupto à corrupção. E não me refiro a corrupção no sentido de improbidade, mas no sentido aristotélico —formas corrompidas de exercício de poder".
A citação foi correta e também é um clássico do debate moral e jurídico, segundo Pondé.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.