Governo terá "lista suja" sobre demissão política
O ministro Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego anunciou, ontem, que o governo federal estuda a criação de uma "lista suja", com restrição de acesso a crédito, para as empresas que cometeram comprovadamente assédio eleitoral.
Além disso, a pasta estará à frente de uma força-tarefa para investigar denúncias de ameaças de demissão e discriminação contra trabalhadores por posicionamento político e de assédio eleitoral .
Desde domingo, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou a reeleição com mais de 64 milhões de votos (51,79%), vêm circulando nas redes sociais publicações que incentivam empresários a demitir funcionários que votaram no candidato do PT, a recusar a contratação de profissionais identificados com a esquerda e a boicotar estabelecimentos associados a eleitores petistas.
"A lista é para que a gente possa mostrar para a sociedade que tem empresas cometendo ilegalidades de eventual crime contra o trabalhador", disse Marinho.
"Depois da eleição de domingo, chegaram ao Ministério do Trabalho e Emprego relatos de empresários demitindo funcionários por causa do voto.
Quero ser muito claro: isso é ilegal, isso é crime", advertiu.
O ministro ressaltou que a liberdade de consciência e o sigilo do voto são garantias constitucionais e que nenhum trabalhador pode perder o emprego por sua escolha política.
"Ninguém é obrigado a dizer em quem votou e ninguém pode perder o emprego por isso", enfatizou.
Segundo Marinho, os auditores fiscais do trabalho das 27 unidades da Federação deverão dar prioridade absoluta às denúncias relacionadas ao tema.
A força-tarefa reúne os ministérios do Trabalho e Emprego e da Justiça e Segurança Pública, a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e outros órgãos públicos.
A atuação prevê a apuração das denúncias, a fiscalização das empresas e medidas para combater conteúdos digitais que incentivem a discriminação política nas relações de trabalho.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, afirmou que a liberdade de escolha política precisa ser protegida pelo Estado.
"Todas as formas de opressão e violência contra a liberdade do voto atentam grave e diretamente contra o princípio democrático e não serão toleradas pelo Estado brasileiro", advertiu.
De acordo com os dados apresentados pelo MPT, foram registradas 2.177 denúncias de assédio eleitoral em 2026.
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