Google blinda Android, entra na mira do Cade e irrita fãs: 'ja já vira iOS'
O Google começou pelo Brasil a impor restrições à instalação em smartphones que rodam Android de aplicativos que venham de fora da Google Play e de lojas parceiras. A blindagem chegará ao restante do mundo em 2027.
Gratuito e de código aberto, o sistema operacional do Google se tornou o mais popular do mundo ao ser embarcado por quase todas as fabricantes de celulares. Por outro lado, atrai fãs por dar liberdade para experimentos e modificações de serviços sem passar pelo crivo da big tech. Se conta com a parceria das grandes fabricantes de smartphones, a blindagem ao Android irritou muitos dos aficionados por tecnologia. "Não tem mais motivo para não usar um iPhone " e "Já já vira um iOS, e a liberdade se esvai" são alguns dos comentários nas redes.
Não foram só eles a fazer perguntas. Antes de a medida começar a valer, no fim de setembro, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) acionou o Google para entender se desenvolvedores menores seriam prejudicados e por que o Brasil foi escolhido como laboratório mundial de ação tão drástica. As respostas da big tech vieram, e entidades da sociedade civil não ficaram contentes e pediram a suspensão da restrição. Como o movimento do regulador brasileiro ocorre dentro de inquérito aberto em 2024 para investigar se o Google usa seu domínio no Android para minar rivais à Google Play,, o prognóstico para a big tech não é bom: procedimento similar forçou a Apple a abrir o iOS para lojas rivais pela primeira vez na história em 2026 .
A medida que virou novo embate com o Cade foi anunciada pelo Google em 25 de agosto de 2025. É a Verificação de Desenvolvedores para Android, ADV na sigla em inglês:
O objetivo do Google com a Política de Desenvolvedores é consolidar-se como a única opção confiável, descredibilizando concorrentes que dependem do ecossistema Android para acessar usuários. Artigo 19 e EFF, em manifestação ao Cade
O ADV é uma resposta necessária e proporcional ao crescimento exponencial de malwares associado à evolução da IA Google, em resposta ao Cade
O Android roda em oito de cada dez celulares no Brasil, segundo o StatCounter. Controlar quem pode fornecer aplicativos para o Android é, na prática, definir que passa pela porta de entrada de quase todo app que chega ao bolso do brasileiro. O Cade investiga desde 2024 justamente se o Google usa o domínio sobre o sistema para sufocar rivais da Google Play. A nova regra caiu no meio desse inquérito.
O enredo é conhecido. Em 2026, um processo parecido no Cade terminou com a Apple aceitando abrir o iPhone para lojas rivais. A ironia é que o Google usa esse mesmo acordo como defesa. Segundo a empresa, o ADV seria "muito menos restritivo" do que a análise automática que a Apple exigir de apps vindos de lojas alternativas.
Abordado por Radar Big Tech , o Cade informou que não comenta casos em andamento.
Além da Google Play, lojas de aplicativos pertencentes a fabricantes de smartphones aderiram à regra: Galaxy Store ( Samsung ), GetApps ( Xiaomi ), OPPO App Market (Oppo), V-Appstore (vivo), HONOR App Market (Honor) e Palm Store (Transsion).
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