Advogado sequestrado pelo PCC pediu socorro a cliente em 'tribunal do crime', mas foi ignorado
Rafaell Câmara Roque ligou para José Armerindo Santos de Carvalho, o Boqueta, durante o cárcere.
Arquivo pessoal e Reprodução O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou que ligou para um cliente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para pedir socorro enquanto era julgado em um "tribunal do crime" em Cubatão (SP).
Segundo Rafaell, o homem foi ao local e se recusou a interceder pela vida do profissional.
O cliente era José Armerindo Santos de Carvalho, o Boqueta.
Ele morreu na quarta-feira (12) após ser baleado em um confronto com a Polícia Militar (PM) na Operação Patrocínio Fiel, deflagrada depois do sequestro de Rafaell.
Segundo a corporação, uma pistola calibre 9 mm foi apreendida com ele. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp.
Rafaell lamentou o desfecho de Boqueta, a quem defendia em processos por porte ilegal de arma e ações contra o Estado — em um dos casos, conseguiu um habeas corpus e uma indenização de R$ 2 mil para o homem.
Após o cliente se recusar a ajudá-lo no cativeiro, o advogado rompeu o contrato e renunciou à defesa dias depois do sequestro.
“Não desejava a morte de ninguém, ainda mais dele, porque assim, eu conheci ele sofrendo uma injustiça [...] Eu tentei fazer ele mudar de vida, sair do crime, ele não quis.
E, infelizmente, ele teve essa consequência do que ele plantou”, disse.
Motivação do sequestro Rafaell foi sequestrado após ajuizar uma ação contra uma empresa comandada pelo suposto integrante da facção Wagner Rodrigues dos Santos.
O objetivo do grupo era forçar o advogado a abandonar o processo e fornecer o endereço do cliente (e ex-sócio de Wagner) que ele representava.
Homem morre durante operação contra facção criminosa em São Vicente, SP O profissional explicou que entrou com a ação porque seus clientes teriam sido "expulsos" da empresa por Wagner, com quem tinham relação desde a infância.
O suspeito teria prometido pagar um valor referente à parcela dos sócios para que eles deixassem o negócio, o que não aconteceu.
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