A longa disputa pelo fim da escala 6×1, agora apoiada por Lula e Flávio
Uma proposta apresentada ao Congresso em 2019, que passou anos sem avançar, transformou-se em uma das principais bandeiras da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 chega ao plenário do Senado nesta quarta-feira (14), a 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, após mobilizar trabalhadores, provocar disputas entre parlamentares e levar parte da oposição a rever sua posição sobre o tema.
O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e garante dois dias de descanso remunerado.
A mudança afeta principalmente trabalhadores do comércio e dos serviços, setores em que a escala de seis dias de trabalho para um de folga é mais comum.
A votação também coloca o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) diante de uma proposta que criticou durante meses.
Na terça-feira (13), o senador anunciou que votaria a favor da PEC .
Seu partido liberou a bancada para a votação, embora já discuta uma alternativa para 2027, caso Flávio seja eleito presidente.
Leia também Quaest: No 2º turno, Flávio Bolsonaro conquista 46% dos votos; Lula tem 44% Para 91% dos entrevistados, escolha do voto é definitiva Flávio recua e confirma presença em debate com Lula na Band após dizer que não iria Senador afirma que anúncio de ausência foi estratégia para levar presidente a confirmar participação; encontro está marcado para domingo (18) Pauta antiga A discussão sobre a redução da jornada é anterior ao atual governo.
Em 2019, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) apresentou uma proposta de emenda à Constituição para diminuir gradualmente a carga horária semanal.
O texto permaneceu durante anos sem uma perspectiva concreta de votação.
A mobilização ganhou outra dimensão em 2023, quando Rick Azevedo, então trabalhador do setor farmacêutico no Rio de Janeiro, publicou nas redes sociais um vídeo criticando a rotina de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
A repercussão levou à criação do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que organizou manifestações e um abaixo-assinado pelo fim da escala 6×1.
A petição ultrapassou 2 milhões de assinaturas e ajudou a transformar a discussão trabalhista em uma campanha nacional.
Campanha de Lula muda tom e adota “estratégia do medo” contra Flávio Bolsonaro Foi nesse contexto que a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) assumiu a articulação da pauta na Câmara.
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