Fim da 6 X 1 pode elevar mensalidades escolares em até 23%
A aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6 X 1 no Brasil levou a Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino), que representa 46.000 estabelecimentos de educação básica e 2.300 instituições privadas de ensino superior, a cobrar do Congresso e do governo federal a regulamentação urgente do novo DSR (descanso semanal remunerado) até o fim do ano.
A entidade se manifestou nesta 5ª feira (15.out.2026), por meio de nota oficial.
Leia a íntegra da nota (PDF – 184 kB).
Segundo a entidade, a falta de uma definição jurídica clara sobre a aplicação do DSR pode resultar em um reajuste de até 23% nas mensalidades escolares a partir de janeiro, empurrando cerca de 600 mil estudantes da rede privada para a rede pública de ensino e pressionando significativamente a inflação no início de 2027.
A principal preocupação do setor está no impacto financeiro sobre a folha de pagamento dos professores horistas, que respondem por cerca de 55% da folha docente do setor e por mais de 80% no ensino superior privado.
Atualmente, com base na Súmula 351 do TST (Tribunal Superior do Trabalho), o professor que recebe por hora-aula tem um acréscimo de 1/6 a título de DSR.
Com a transição da escala 6 X 1 para a 5 X 2, se o 2º dia de descanso for classificado juridicamente como repouso remunerado e não como folga compensatória (modelo adotado há décadas para comerciários, bancários e setor administrativo), o fator de cálculo saltará de 1/6 para 2/5.
No exemplo apresentado, a mudança representa um aumento de 20% no custo total da remuneração do professor: atualmente, um professor com salário de horas-aula fixado em R$ 5.000,00 recebe um adicional de DSR de R$ 833,33 (1/6), totalizando uma remuneração de R$ 5.833,33; com a nova regra, o DSR sobre os mesmos R$ 5.000,00 salta para R$ 2.000,00, elevando o salário total para R$ 7.000,00.
Impacto na folha Um estudo econômico encomendado pela Confenen à consultoria NumbersTalk , do economista Luiz Alvares Rezende de Souza, aponta que o impacto da mudança na folha de pagamento das escolas privadas oscilará de R$ 9,3 bilhões a R$ 31,6 bilhões por ano.
No cenário projetado como mais provável, o custo adicional será de R$ 17,3 bilhões anuais.
Para manter a sustentabilidade financeira, as instituições teriam que repassar um reajuste de 8% a 11% focado exclusivamente no efeito do DSR.
Somado à recomposição anual já praticada pelo setor, que varia de 9% a 12%, o aumento total nas mensalidades das famílias brasileiras pode atingir até 23% no próximo ciclo letivo.
O alerta atinge com mais força as pequenas escolas comunitárias e familiares, que constituem a maioria do setor e operam com margens de lucro bastante apertadas, de 3% a 8%.
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