Candidatos ao governo de MG focam em crise fiscal do estado em 1º debate
Candidatos ao governo de Minas Gerais focaram a crise fiscal do estado no primeiro debate da eleição, realizado hoje pela Band . A dívida bilionária, o Propag, as contas públicas e as propostas para aumentar a arrecadação estiveram entre os principais temas.
O debate contou com cinco candidatos: Alexandre Kalil (PSD), Cleitinho (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD). Patrus Ananias, do PT, não compareceu.
Dívida de Minas foi o principal ponto de confronto. Mateus Simões (PSD) criticou o governo federal e afirmou que o estado paga R$ 60 milhões em juros por mês, enquanto Lula estaria "sentado em cima" da proposta mineira para parcelar o débito. A dívida de Minas é de cerca de R$ 206 bilhões, sendo mais de R$ 160 bilhões com a União.
O meu primeiro passo no próximo mandato é ir à Brasília, e espero que seja outro [presidente], para que a gente não seja de novo prejudicado como fomos pelo atual, para dizer a ele que se ele quer receber que pelo menos ele gaste em minas o dinheiro que ele está recebendo. Mateus Simões (PSD)
O Propag também gerou divergências entre os candidatos. Questionado por Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho (Republicanos) chamou o programa de pagamento de dívidas dos estados de "mal necessário" e afirmou que não havia o que fazer quando o projeto foi aprovado pelo Congresso. O senador defendeu diálogo com o próximo presidente, independentemente de quem seja eleito.
A gente precisa dialogar com o governo federal, não adianta brigar com o governo federal, não adianta apontar o dedo e ficar brigando, Cabe a quem for governador aqui ter humildade, no primeiro dia de governo, fazer isso. Cleitinho Azevedo (Republicanos)
As contas públicas apareceram ainda em discussões sobre incentivos fiscais. Kalil classificou como "assustadora" a política de isenções adotada durante o governo Romeu Zema (Novo) , enquanto Flávio Roscoe (PL) chamou de "vazio" o discurso sobre o fim dos incentivos para empresas.
Essa conta vai custar ao governo do estado. R$ 25 bilhões em cinco anos [em isenções], mais R$ 40 bilhões dos 2% do Propag —R$ 65 milhões. É nisso que nós estamos falando. É assustador. Alexandre Kalil (PDT)
Os candidatos também divergiram sobre privatizações e serviços públicos. Roscoe defendeu a privatização da Copasa, concluída em junho , como forma de melhorar o atendimento de saneamento. Já Gabriel Azevedo (MDB) afirmou que não venderá a Cemig caso seja eleito.
No caso da Copasa, havia um déficit, uma falta de capacidade de investimento. A empresa não tinha como tratar do problema de saneamento. E, ao fazer a privatização, abre-se espaço para que muitos municípios possam procurar suas opções e também para que a Copasa, sendo uma empresa privada, possa levantar recursos para atender à demanda de todos os mineiros. Flávio Roscoe (PL)
O debate foi marcado ainda por confrontos entre os candidatos. Simões adotou um tom mais agressivo e trocou acusações com Kalil, que chegou a chamá-lo de "pai da mentira" e perguntou se o governador estava "em Nárnia". Cleitinho também protagonizou embates sobre IPVA, segurança pública e privatização da Cemig.
Comigo a Cemig não vai ser privatizada.
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