Moraes vive dias de investigado antes de STF abrir investigação
A rotina de Alexandre de Moraes foi virada do avesso. Antes de o Supremo decidir se abre investigação sobre suas relações com Daniel Vorcaro, Moraes já se comporta como investigado. Um investigado em apuros — do tipo que se esconde atrás de questões processuais para fugir do mérito da acusação. O juiz reproduz instintivamente procedimentos adotados pelos encrencados que condenou.
Aliados de Moraes — Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino — agem como advogados de defesa. Ajudaram a colar em André Mendonça a pecha de relator suspeito. Tocaram o bumbo da nulidade das provas. Pediram acesso a todo inquérito. Exigiram o conteúdo do celular de Vorcaro. Mais um pouco e serão acusados de plágio pelos defensores dos condenados do complô do golpe.
Edson Fachin avocou para a presidência do Supremo a relatoria do caso Moraes-Vorcaro. Mas demora a definir o rito do julgamento desta terça-feira. Há dúvidas até sobre o quórum. Mendonça, Moraes e Dias Toffoli podem ser impedidos de votar. Num plenário de dez, restariam sete. Mas a falange de Moraes põe em dúvida os votos de Nunes Marques e Luiz Fux, mencionados no celular de Vorcaro.
De concreto, por ora, além do risco de um adiamento, há apenas a decisão de Fachin de realizar uma sessão aberta. Se não houver reviravolta, eventuais tumultos serão transmitidos ao vivo pela TV Justiça. O enredo pode ter dois finais, nenhum deles feliz. Num, Moraes passa de juiz implacável a investigado precário. Noutro, o caso é arquivado e o Supremo se suicida.
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